quarta-feira, 5 de outubro de 2011
maçã mordida
sem pai, sem mãe
com amigos
com inimigos
com uma cabeça
que poderia ser a de um dragão
um homem manso
com quem nunca se encontrou
uma fera de homem
que sempre se reclinou
não está no sorriso
não está na lágrima
está em um tempo que transformou
sem pai, sem mãe
aprendeu a enfeitar letras
aprendeu a viver sem letras
aprendeu e dividiu
sem pai, sem mãe
que os postiços
lá serviram pra alimentar
de um amor que amor
bem que foi
se foi
sem pai, sem mãe
um cara que só mordeu
um pedaço da maçã
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Provas de Vestibular
Agora que tenho uma adolescente de doze anos preciso de uma auto avaliação.
Chegar aqui significou fazer a primeira prova do vestibular.
Estudar, pesquisar, experimentar coisas diferentes. Ficar sem dormir, conversar com outras pessoas o tempo todo sobre o mesmo assunto.
Contar o que senti.
Contar o que não senti e deveria ter sentido.
Exercícios importantes que deixei de fazer.
Exercícios inúteis que refiz muitas vezes.
E não adianta aproveitar tudo isso para a prova que ainda tem nove anos porque há perguntas diferentes.
Perguntas que podem ter duplo sentido nas respostas.
Pegadinhas.
Agora preparo-me para a segunda prova, a de aptidão, habilidade, específica ou seja lá que nome essa prova tenha agora.
Passei na primeira fase. Passei? Ainda não sei em que classificação, mas passei, sim.
Rumo a segunda.
Sempre fui boa aluna, mas provas, vestibulares sempre me deixam um pouco aflita.
A sorte é que posso fazer a prova em dupla e escolhi e fui escolhida pelo melhor "carinha" dessa classe - a vida.
Vamos em frente! A banca está sempre atenta!
Chegar aqui significou fazer a primeira prova do vestibular.
Estudar, pesquisar, experimentar coisas diferentes. Ficar sem dormir, conversar com outras pessoas o tempo todo sobre o mesmo assunto.
Contar o que senti.
Contar o que não senti e deveria ter sentido.
Exercícios importantes que deixei de fazer.
Exercícios inúteis que refiz muitas vezes.
E não adianta aproveitar tudo isso para a prova que ainda tem nove anos porque há perguntas diferentes.
Perguntas que podem ter duplo sentido nas respostas.
Pegadinhas.
Agora preparo-me para a segunda prova, a de aptidão, habilidade, específica ou seja lá que nome essa prova tenha agora.
Passei na primeira fase. Passei? Ainda não sei em que classificação, mas passei, sim.
Rumo a segunda.
Sempre fui boa aluna, mas provas, vestibulares sempre me deixam um pouco aflita.
A sorte é que posso fazer a prova em dupla e escolhi e fui escolhida pelo melhor "carinha" dessa classe - a vida.
Vamos em frente! A banca está sempre atenta!
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
Tio
Assombrado por seu tempo não sabia mais como se comportar.
Quando tentava ser moderno, alguém sempre olhava torto, como se fosse um pecado.
Quando tentava contar as coisas do seu tempo, alguém sempre balançava a cabeça como quem diz essa história de novo?
Usava e-mail como ninguém, mas as respostas começaram a rarear e então descobriu que as pessoas não tinham mais tempo para esperar pela resposta, por isso se falavam por um quadradinho chamado de mensagem instantânea e mal aprendeu a lidar com isso, ninguém mais estava online.
Estavam todos nas redes sociais.
Chegou. Meio atrasado, mas chegou.
Primeiro só observou e depois arriscou os primeiros posts.
Eram sempre longos por mais curtas que fossem as ideias porque escrevia todas as palavras por inteiro.
E deixou de entender muita coisa porque não entendia as abreviaturas, mas não se entregou.
Fez novos amigos, encontrou antigos, a sobrinhada toda logo curtiu uma foto e ele se empolgou.
Um dia fez uma viagem espetacular a Nova Iorque, visitou uma feira de tecnologia e se fotografou em um painel interativo.
Postou usando o celular. Incrível. Estava tudo bem até que o primeiro comentário apareceu: ai que legal tio, como tá aí?
Nunca a palavra tio tinha pesado tanto. Nem respondeu!
Quando tentava ser moderno, alguém sempre olhava torto, como se fosse um pecado.
Quando tentava contar as coisas do seu tempo, alguém sempre balançava a cabeça como quem diz essa história de novo?
Usava e-mail como ninguém, mas as respostas começaram a rarear e então descobriu que as pessoas não tinham mais tempo para esperar pela resposta, por isso se falavam por um quadradinho chamado de mensagem instantânea e mal aprendeu a lidar com isso, ninguém mais estava online.
Estavam todos nas redes sociais.
Chegou. Meio atrasado, mas chegou.
Primeiro só observou e depois arriscou os primeiros posts.
Eram sempre longos por mais curtas que fossem as ideias porque escrevia todas as palavras por inteiro.
E deixou de entender muita coisa porque não entendia as abreviaturas, mas não se entregou.
Fez novos amigos, encontrou antigos, a sobrinhada toda logo curtiu uma foto e ele se empolgou.
Um dia fez uma viagem espetacular a Nova Iorque, visitou uma feira de tecnologia e se fotografou em um painel interativo.
Postou usando o celular. Incrível. Estava tudo bem até que o primeiro comentário apareceu: ai que legal tio, como tá aí?
Nunca a palavra tio tinha pesado tanto. Nem respondeu!
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