terça-feira, 31 de maio de 2011

Horácio

Horácio era um homem bom.
Mas Deus não foi bom pra ele e, apesar de bem casado e feliz com a Tereza, com os filhos Junior e Maria Clara, ele se apaixonou perdidamente pela mulher que veio morar em frente à casa deles.
O drama instaurou-se.
Ela nem era tão bonita, mas tinha qualquer coisa que ele não sabia explicar.
Quando se mudaram, em um sábado de manhã, ela logo se apresentou.
Vinham de outra cidade, casados há pouco, ela não trabalhava, o marido muito, ficava muito tempo só.
O Horácio começou a pensar nela e não parou mais.
Nunca permitiu que nenhum olhar lhe escapasse, nem uma palavra de elogio ou crítica.
Pensou em se mudar, mas ainda estava pagando a casa.
Pensou em se matar, mas era radical demais.
Pensou que assim como se desencantara de Tereza haveria de se desencantar da vizinha e seguiu sua vida com força. E sem graça.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Controvérsia

A distância entre as palavras organizadas em um texto e o que fazemos com elas somos nós que traçamos.Muitas coisas são ditas, admiradas, reproduzidas, mas nem sempre compreendidas e muito menos aplicadas. É fácil ser feliz quando tudo está em ordem. Manter a serenidade nos momentos de tormenta é que são elas.

Enquanto rabiscava essas palavras no caderno de capa azul de veludo alguém bateu na porta.
Escondeu o caderno embaixo do travesseiro e abriu um livro qualquer em qualquer página antes de dizer: entra!
A porta se abriu, mas ninguém entrou.

Se não tivesse sido tão displicente talvez pudesse ter uma reação diferente. Era o que constava no relatório.
Tem certeza, delegado? Perguntava a outra inconformada de saber que a vida seguia assim, as vítimas sempre sendo culpadas por seus infortúnios sem mais tempo nenhum para réplicas ou tréplicas.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Estrada

E então acordei pensando que quando vamos construindo nossa estrada temos que ser muito cuidadosos.
Não ignorar detalhes.
Não ignorar sinais.
Fiquei pensando que se a construímos bem, sem buracos ou encruzilhadas podemos voltar por ela, em algum momento.
Sim, é preciso deixar atrás de si um caminho sólido, que nos ajude a voltar um pouco para depois seguir adiante ainda mais confiante.
E então vou dormir contente, porque parece que fiz uma estrada assim.