Mostrando postagens com marcador abril. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador abril. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Eu nasci assim

Quando meu pai era vivo todos faziam caras e muxoxos porque ele contava sempre as mesmas histórias.
Menos eu. Eu  gostava de ouvir. Talvez fosse um prenúncio de que eu viria a fazer a mesma coisa.
E eu faço. Eu conto sempre as mesmas histórias. Muitas vezes para as mesmas pessoas.
Hoje na hora do almoço contei de novo uma das minhas preferidas.
Eu nasci em casa. Minha avó Amélia fez o meu parto.
Minha mãe tinha 34 anos e três filhos crescidos.
Minha avó atravessou a rua comigo no colo, toda embonecada e me pesou na balança do armazém.
Pesei 4,5 kg. Não posso acreditar. Balança de armazém tem lá seus truques e não quero crer que ela tirou toda a minha roupa para pesar, no meio do armazém?
Era abril, 28. Tinha chovido na noite anterior e o dia amanhecera lindo.
Essa é a minha história.
Foi assim que cheguei. Entre mulheres naturalmente belas em sua essência.
E, talvez por isso, eu goste tanto de contar. Foi assim que eu nasci.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Datan e o conceito de tirinha

E então recebi um convite para levar as meninas para conhecerem a redação da Revista Recreio, na Abril. São assinantes, colecionam os brinquedos e as enciclopédias, enviam desenhos e fotos para a reunião.
E fomos.
Gentilmente recepcionadas, com direito a sorvete e passeio pelo pátio e circulação pelo espaço entre jornalistas, computadores, exemplares, bonequinhos, desenhos, uma delícia de lugar.
Antonella levava a tiracolo os seus números de mangá para apresentar.
Valentina levava os seus desenhos, de Festa Junina, de Páscoa e, sedutora, descobriu um armário mágico, cheio de brinquedinhos.
Ganharam várias edições de Clássicos da Literatura em quadrinhos e outras tantas publicações!
E foram descobrindo como tudo é feito, quem desenha, quem escreve, até que Antonella identificou quem decide, quem define e se aproximou:
- Com licença, eu queria perguntar quem é o digitalista...
E a editora-chefe:
- Ah, quem digita? Depende da seção, da matéria, por quê?
- Porque minha irmã enviou uma foto nossa, e foi publicada, mas escreveram meu nome errado! Ele é meio diferente, mas ficou muito esquisito!
E ela, gentilmente, olhando os mangás desenhados sugeriu:
- Então vamos fazer assim, você faz uma tirinha apresentando o personagem principal do seu mangá e nós publicamos.
Ótimo, ficamos combinados assim.
Passaram-se dias, depois semanas. Dei tempo, mas tempo demais se passou e perguntei:
- Antonella, não vai fazer a tirinha apresentando o Datan?
Desconversava até que um dia esclareceu:
- Mãe, você não entende o conceito de tirinha? Tirinha é para ser divertida, é uma piada, não é pra apresentar personagem. Acha que em três quadrinhos eu consigo apresentar um personagem e ainda fazer uma piada? Teria que ter uns seis, nove...
- Mas você consegue, faça então uma coisa divertida, está perdendo uma grande chance!
- Mãe, você não entende mesmo! Ela quer publicar na seção de correios! Meus mangás, minhas tirinhas, na seção de correio?!?
Entendo outros conceitos, que ela ainda precisa de tempo para entender.