Eu não sei dirigir.
Eu não sei nadar.
Eu não sei andar de bicicleta.
Eu não sei andar de patins.
Eu não sei esquiar.
Eu não sei surfar.
Eu não sei mergulhar.
Eu não sei andar de skate.
Eu não sei andar de moto.
Eu não sei dançar.
Eu não sei virar cambalhota.
Eu não sei assoviar.
Eu não sei sambar.
Eu não sei cavalgar.
Mas, ser você sabe sorrir
por que isso deveria importar?
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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
Fotograma
Ele dirigia um caminhão de lixo, moreno, de boné, entrou na minha frente sem a menor cerimônia quando a preferencial era minha.
Eu não quis voltar a olhar para ele quando fez a curva, porque não queria sentir raiva de um ser humano que é apenas um infeliz exercendo o seu mísero poder.
Eram bonitos eles.
Ela em uma improvável calça cor de limão e camiseta branca apoiada na bicicleta, um pé no chão, um pé no ar. Os cabelos transformados fugindo do rabo de cavalo esvoaçando pelo rosto moreno e sorridente.
Ele suportava o peso da mochila para conversar mais e mais com ela. Parados na passarela da ponte. De onde vinham e para onde iam ninguém precisa saber.
O dono tinha uma aparência lamentável. O cão parecia um príncipe descansado no gramado, sobre o cobertor. Vira-lata. Loiro. Grande. Cara de bonachão. E depois, se fosse uma cadela, seria tudo isso e um pouco mais. Esperando seu destino de vira-lata de mendigo, parecia mais um rei bom.
São bons e fiéis os cães dos desvalidos.
Fotogramas do meu caminho.
Fotogramas da cidade.
Fotogramas que vão compondo o filme da minha retina, que repinta o que me faz sentir.
Eu não quis voltar a olhar para ele quando fez a curva, porque não queria sentir raiva de um ser humano que é apenas um infeliz exercendo o seu mísero poder.
Eram bonitos eles.
Ela em uma improvável calça cor de limão e camiseta branca apoiada na bicicleta, um pé no chão, um pé no ar. Os cabelos transformados fugindo do rabo de cavalo esvoaçando pelo rosto moreno e sorridente.
Ele suportava o peso da mochila para conversar mais e mais com ela. Parados na passarela da ponte. De onde vinham e para onde iam ninguém precisa saber.
O dono tinha uma aparência lamentável. O cão parecia um príncipe descansado no gramado, sobre o cobertor. Vira-lata. Loiro. Grande. Cara de bonachão. E depois, se fosse uma cadela, seria tudo isso e um pouco mais. Esperando seu destino de vira-lata de mendigo, parecia mais um rei bom.
São bons e fiéis os cães dos desvalidos.
Fotogramas do meu caminho.
Fotogramas da cidade.
Fotogramas que vão compondo o filme da minha retina, que repinta o que me faz sentir.
terça-feira, 15 de março de 2011
Nadar ou andar de bicicleta?
- Eu não sei nadar
- É? E eu não sei andar de bicicleta
- Mas isso é mais fácil
- Mais fácil por quê?
- Ué, porque pra saber nadar precisa de piscina, eu era pobre
- Ai, quem disse isso? E eu era rico? Aprendi no ribeirão
- Minha mãe não me deixava ir no ribeirão...
- Mas o ribeirão passava no fundo da minha casa
- Bom no fundo da minha casa não passava ribeirão e eu não aprendi a nadar, já andar de bicicleta
- O quê? Pra aprender andar de bicicleta precisa ter bicicleta!
- Mais ou menos, eu aprendi na do meu pai, que era de trabalhar e tinha aquele cano e eu passava a perna por dentro!
- É, mas meu pai não tinha
- Nenhum amigo tinha?
- Tinha, claro que tinha, mas amigo lá empresta bicicleta pra quem não sabe andar? O camarada vai cair, estragar a bicicleta
- Eu também não sei jogar tênis
- Bom, aí nem eu, isso sim é de rico, mas eu sei jogar bola!
- Eu também, e sou bom!
- Bom de que? Joga de zagueiro com essa pança toda?
- Respeito camarada, sou ponta esquerda!
- Uia, eu jogo em qualquer posição!
- B´ora montar um time pra jogar de sábado?
- Pode ser, tem um monte de camarada aí de bobeira, b´ora lá!
terça-feira, 9 de junho de 2009
É o que dizem
Estava sentado no muro balançando os pés, mastigando um galho seco da árvore quando viu a bicicleta descer a rua descontrolada até jogar seu condutor no chão.
Saiu correndo, foi o primeiro a chegar para ajudar.
O rapaz estava pálido, a perna trêmula, o braço todo ralado.
Os óculos foram parar longe. Um pé estava descalço e um garoto gorducho segurava um allstar sujo na mão direita.
Foi assim que se conheceram.
- moro bem ali, vamos lá, você se senta um pouco, toma um pouco de água, lava o braço, a gente põe um pouco de merthiolate. A minha mãe não está mas eu sei onde ela guarda tudo isso.
Alguém perguntava:
- será que quebrou alguma coisa?
- não, não tem nada doendo tanto assim e eu já quebrei o braço, sei como é
Os poucos que se juntaram rapidamente voltaram aos seus afazeres e Venâncio ajudou o novo amigo a levantar a bicicleta e foram tratar de curar os arranhões.
Foi assim que se conheceram.
Sobre o que falaram depois, como foi que disseram seus nomes, onde estudavam, de que música gostavam isso ninguém sabe.
Tampouco como foi que marcaram um outro encontro.
Só se sabe que depois do tombo da bicicleta Venâncio ganhou um amigo e nunca mais foi o mesmo!
Saiu correndo, foi o primeiro a chegar para ajudar.
O rapaz estava pálido, a perna trêmula, o braço todo ralado.
Os óculos foram parar longe. Um pé estava descalço e um garoto gorducho segurava um allstar sujo na mão direita.
Foi assim que se conheceram.
- moro bem ali, vamos lá, você se senta um pouco, toma um pouco de água, lava o braço, a gente põe um pouco de merthiolate. A minha mãe não está mas eu sei onde ela guarda tudo isso.
Alguém perguntava:
- será que quebrou alguma coisa?
- não, não tem nada doendo tanto assim e eu já quebrei o braço, sei como é
Os poucos que se juntaram rapidamente voltaram aos seus afazeres e Venâncio ajudou o novo amigo a levantar a bicicleta e foram tratar de curar os arranhões.
Foi assim que se conheceram.
Sobre o que falaram depois, como foi que disseram seus nomes, onde estudavam, de que música gostavam isso ninguém sabe.
Tampouco como foi que marcaram um outro encontro.
Só se sabe que depois do tombo da bicicleta Venâncio ganhou um amigo e nunca mais foi o mesmo!
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