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sexta-feira, 20 de maio de 2011

Aconteceu

Aconteceu.
Em menos de cinco minutos a conversa desconversou e não se entenderam mais.
Cada qual se recolheu ao seu espaço, aos seus valores, as suas crenças e verdades.
Aconteceu.
Cada um deu o nome que melhor lhe pareceu para a sensação posterior.
Fúria. Decepção. Engano. Raiva. Nonsense.
Aconteceu.
Logo depois alguém ganhou e alguém perdeu.
Mas o tempo é o melhor remédio.
Não há bula que dê conta de descrever os efeitos colaterais.
Em menos de cinco minutos os papéis se inverteram.
Quem mais se abalou já não se incomoda com o que se quebrou.
Quem repensou talvez pense em colar cacos.
Só funciona em mosaicos pensados como arte.
Na vida o colorido não se sobrepõe aos vãos cinzas.
Aconteceu.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Privilégio

Hoje quero o privilégio de ficar recolhida.
De entender do meu jeito.
De aguardar essa coisa esquisita passar.
Hoje não quero mais do que um filme B.
Um artigo de jornal que amanhã será reciclado.
Um poema de palavras simples, sem rima.
Hoje quero o privilégio de ficar em silêncio.
De não rir da piada. De não prolongar a conversa.
Hoje quero apenas ficar quietinha, enrolada como um novelo de lã.
Hoje quero o privilégio de escrever para mim.
Sem poesia, sem entrelinhas, sem inspiração.
Hoje quero o privilégio de escrever como respiro.