O comercial da Claro me incomoda.
Ele pergunta mais ou menos assim: você conhece alguém que acorda de madrugada sorrindo?
Conhece alguém que trabalha o dia inteiro e quando chega em casa trabalha ainda mais e sorrindo? Então dê um Claro que ela merece.
Bom, definitivamente, por esse conceito, eu jamais ganharei um Claro.
Claro que, como mãe, eu acordo de madrugada. Mas não acordo sorrindo. Acordo bem irritada.
Tenho duas anjinhas que normalmente pedem água, têm medo, querem mais ou menos coberta ou querem apenas ter certeza de que estou por ali.
Mas eu não amo menos ou mais, nem sou amada menos ou mais por não acordar sorrindo.
Vou cambaleando, olhando o relógio, pensando que vou perder preciosos minutos de sono e muitas vezes, quando já ouço o pedido: quero água, um sotaque cantadinho quase mineiro, eu apenas transfiro a missão para o papai. Ele sorri mais que eu. Ele sim mereceria um Claro, mas ninguém faz um comercial assim para o dia dos pais, ou seja, ele também vai ficar sem.
E me incomoda mais ainda a conivência de quem faz que sim, que vai sorrindo, porque ai daquela que não se encaixa! Claro que a Claro sabe que existem muitas assim. Eu mesma conheço uma incapaz de perder a paciência. É admirável, mas não vou sofrer e sorrir.
E outro dia quase fui excomungada porque comentei, naturalmente, que não trato as minhas filhas da mesma forma. Se elas são tão diferentes entre si, como é que eu posso tratar igual? Tratar diferente não é uma divisão entre o bem e o mal, mas estou longe desse inconsciente coletivo e tenho que entender melhor o contexto e escolher melhor minhas palavras, do contrário ficarei no escuro, sem Claro ou qualquer outro presente. O dia das Mães vem aí!
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segunda-feira, 4 de maio de 2009
segunda-feira, 13 de abril de 2009
Pensando em ter filhos?
Talvez seja melhor não pensar. Certas coisas são difíceis de racionalizar. Não dá para fazer um business plan e preparar o lançamento. Até porque, dificilmente vai atrasar como acontece com todo produto novo, mas pode muito bem adiantar e não temos muito jogo de cintura para isso. Aliás, nesse caso, as mulheres não tem mesmo nenhum jogo de cintura. De pés, de ciático.
Existe ampla literatura sobre o tema.
De grandes e renomados especialistas até os livrinhos com os significados de nomes e signos do zodíaco.
E sites, e revistas, e amigos e parentes que discorrem sobre o tema.
Portanto, não tenho nenhuma pretensão com minhas reflexões.
O que aprendi nesses quase dez anos é que dá para delegar uma troca de fraldas ou outra.
Dá para delegar uma papinha ou outra.
Dá para ir ao cinema.
Dá para viajar a trabalho por uns dez dias.
Mas não dá para delegar bom dia, boa tarde, como vai, tudo bem? Com licença, obrigada.
Não dá para delegar porque esse não é um aprendizado de cartilha.
É um aprendizado de exemplo e não dá para delegar exemplo ou enviar por e-mail, por SMS, nem usar uma webcam.
Tempo é o melhor investimento.
E dá para ser pequeno investidor. 15 minutos, meia hora, um cinema, um jantar.
Certa vez, minha filha ao telefone pergunta:
- Mãe, você já está chegando?
Espio o relógio, quase oito da noite...
- Não, ainda estou no escritório.
- Ah, porque o papai já está servindo o jantar e você sabe né, jantar é coisa de família.
- Humm... É, eu sei.
Aprendeu a lição e superou o mestre.
Ter filhos é prazeroso mas é cansativo. Quem disse que não é? Não está escrito em nenhum manual, ninguém quer tocar no assunto, se parece com os velhos tabus, mas cansa!
Minha energia vai embora como água pelo ralo.
É uma delícia vê-las dormindo. Aconchegadas, cheirosas, tranquilas.
Nossos filhos são pessoas e pessoas são complicadas. Relações são delicadas.
Queremos sempre o melhor, mas o melhor para quem?
Não dá para delegar esse discernimento e nem deixar a preguiça responder com tá, tá bom, sim, depois eu vejo, agora não, pode, ok, ok.
Lá na frente esses depósitos não vão render senão problemas. A taxa de administração será tão alta que não compensará.
Estou revendo meu posicionamento dia a dia, e minha última avaliação não foi lá das melhores:
- Mãe, você é a melhor mãe do mundo!
- Não acredito!
- Melhor mãe do Brasil!
- Imagina!
- De São Paulo.
- Não sei não.
- Desse condomínio!
E diante de um sorriso que talvez um adulto distraído deixasse passar finalizou o assunto:
- Tá, tá, você é a melhor mãe dessa casa e não se fala mais nisso!
Combinado.
Existe ampla literatura sobre o tema.
De grandes e renomados especialistas até os livrinhos com os significados de nomes e signos do zodíaco.
E sites, e revistas, e amigos e parentes que discorrem sobre o tema.
Portanto, não tenho nenhuma pretensão com minhas reflexões.
O que aprendi nesses quase dez anos é que dá para delegar uma troca de fraldas ou outra.
Dá para delegar uma papinha ou outra.
Dá para ir ao cinema.
Dá para viajar a trabalho por uns dez dias.
Mas não dá para delegar bom dia, boa tarde, como vai, tudo bem? Com licença, obrigada.
Não dá para delegar porque esse não é um aprendizado de cartilha.
É um aprendizado de exemplo e não dá para delegar exemplo ou enviar por e-mail, por SMS, nem usar uma webcam.
Tempo é o melhor investimento.
E dá para ser pequeno investidor. 15 minutos, meia hora, um cinema, um jantar.
Certa vez, minha filha ao telefone pergunta:
- Mãe, você já está chegando?
Espio o relógio, quase oito da noite...
- Não, ainda estou no escritório.
- Ah, porque o papai já está servindo o jantar e você sabe né, jantar é coisa de família.
- Humm... É, eu sei.
Aprendeu a lição e superou o mestre.
Ter filhos é prazeroso mas é cansativo. Quem disse que não é? Não está escrito em nenhum manual, ninguém quer tocar no assunto, se parece com os velhos tabus, mas cansa!
Minha energia vai embora como água pelo ralo.
É uma delícia vê-las dormindo. Aconchegadas, cheirosas, tranquilas.
Nossos filhos são pessoas e pessoas são complicadas. Relações são delicadas.
Queremos sempre o melhor, mas o melhor para quem?
Não dá para delegar esse discernimento e nem deixar a preguiça responder com tá, tá bom, sim, depois eu vejo, agora não, pode, ok, ok.
Lá na frente esses depósitos não vão render senão problemas. A taxa de administração será tão alta que não compensará.
Estou revendo meu posicionamento dia a dia, e minha última avaliação não foi lá das melhores:
- Mãe, você é a melhor mãe do mundo!
- Não acredito!
- Melhor mãe do Brasil!
- Imagina!
- De São Paulo.
- Não sei não.
- Desse condomínio!
E diante de um sorriso que talvez um adulto distraído deixasse passar finalizou o assunto:
- Tá, tá, você é a melhor mãe dessa casa e não se fala mais nisso!
Combinado.
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