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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Segredo

- Você tem um segredo?
- Eu não, por que?
- Porque eu queria que alguém me contasse um segredo.
- Pra que?
- Todo mundo tem um amigo que conta algum segredo.
- Eu não tenho.
- Não?
- Não!
- Você é mesmo bem esquisito!
- Eu? E você? Você também não tem, se até está me pedindo pra te contar um segredo!
- Exatamente porque sou normal e não quero ser esquisita que nem você é que eu quero que um amigo me conte um segredo! E você nem pra isso serve!!!
- Olha, quer saber, eu vou te contar um segredo!
- Jura? Qual? Você disse que não tinha nenhum!
- É, mas eu tenho, eu menti porque não queria contar pra ninguém!
- Nem pra mim? Mas eu sou sua amiga!
- É exatamente por isso!
- Como assim? Porque eu sou sua amiga você não quer me contar o seu segredo? Que segredo é esse?
- É que eu não quero que você seja minha amiga...
- ...
- Eu gosto de você de outro jeito, eu queria mesmo é que você fosse a minha namorada.
- Sério?
- Sério.
- Caramba... e eu que pensei que você nunca ia dizer isso! Eu quero muito ser sua namorada, ser sua amiga é muito chato!

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Considerações

Achou que tinha achado o grande amor da sua vida.
Mas que nada! Maria era daquelas moças que não dão sorte com essa coisa de namorado.
Quando era mais jovem era muito exigente e não conseguia namorar ninguém.
Achava todo mundo meio bobo.
O tempo foi passando e Maria foi diminuindo os itens da sua lista de exigência.
Até namorou um ou outro de um jeito mais sério, mas de gostar, amar, com vontade de ficar velho junto, nada, ninguém.
Acabou concluindo que isso era coisa de novela. Ia mesmo escolher um mais ou menos e tocar a vida.
Era melhor que fosse um pouco mais feio, um pouco mais pobre do que muito namorador e foi por aí.
Até que não demorou muito pra encontrar. Achou que tinha achado o grande amor da sua vida, assim mais racional do que emocional.
Mas que nada!
Não foram nem seis meses e o Joaquim anunciou que não estava feliz, que estava pensando em voltar pra terra natal e começar a vida de um outro jeito, mas sem ninguém. Por enquanto. Era um tempo.
Maria achou que não tinha que ficar esperando esse tempo e apenas sorriu.
Acabou o jantar, pediu uma sobremesa bem gorda, perguntou se ele não se importava em pagar a conta toda, pegou a bolsa e saiu.
Voltou andando pra casa decidida a não procurar nada mais, foi quando o Orlando, o dono da banca de revistas recomendou que ela não andasse sozinha àquela hora.
Primeiro ela se assustou, depois olhou para ele como nunca tinha olhado e reconsiderou as considerações de há pouco.