O silêncio faz a palavra recolher-se sem alarde.
Ele impera, domina sem imposição.
O silêncio não precisa de coroa, de trono, de nada além de silêncio.
As palavras se atropelam.
As palavras se confundem.
As palavras se perdem.
As palavras nunca andam sozinhas.
Mesmo as más sempre estão acompanhadas.
As palavras transformam um pequeno tijolo em palco.
As palavras buscam a luz como faz o girassol.
O silêncio acompanha e quando decide que é seu momento
não tem palavra que o demova dessa ideia.
As palavras estão por toda parte. Visíveis.
Quem consegue enxergar o silêncio não tem palavras para descrever.
How can we find the silence?
As palavras não querem contar.
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quinta-feira, 27 de outubro de 2011
terça-feira, 20 de setembro de 2011
Iluminada
quando faço silêncio consigo escutar a voz que preciso
quando fecho os olhos consigo ver a luz que me ajuda a enxergar melhor as pedras
não preciso me livrar delas
ora servem para eu me sentar, ora para marcar o caminho
ora as pedras servem para machucar os pés na trajetória
como se um aviso fosse: não é preciso ir mais devagar?
quando respiro profundamente limpo o ar poluído que me rodeia
quando deixo a expressão tranquila
as únicas rugas que aparecem são as da idade, não as de preocupação
quando faço silêncio consigo que meus lábios digam pelos meus dedos
em um teclado cheio de tecnologia
o que vai guardadinho em meu coração
e o que vai guardadinho em meu coração é a certeza
de que apenas sendo seguirei iluminada
quando fecho os olhos consigo ver a luz que me ajuda a enxergar melhor as pedras
não preciso me livrar delas
ora servem para eu me sentar, ora para marcar o caminho
ora as pedras servem para machucar os pés na trajetória
como se um aviso fosse: não é preciso ir mais devagar?
quando respiro profundamente limpo o ar poluído que me rodeia
quando deixo a expressão tranquila
as únicas rugas que aparecem são as da idade, não as de preocupação
quando faço silêncio consigo que meus lábios digam pelos meus dedos
em um teclado cheio de tecnologia
o que vai guardadinho em meu coração
e o que vai guardadinho em meu coração é a certeza
de que apenas sendo seguirei iluminada
quarta-feira, 10 de agosto de 2011
Tarde para uma tarde
Ficava olhando para o pedaço de papel em cima da mesa e depois deles buscava os lápis que descansavam na tarde morna, tão organizados no porta-lápis preto.
Sentia que as palavras rondavam sua cabeça.
O silêncio acariciava a mão, tudo era um convite para escrever um poema.
Estava com medo dos poemas.
Eles andavam carregados de mágoa.
As palavras que se juntavam nada mais faziam que desnudá-la.
Deixar aparentes todas as dores, toda a decepção, toda a espera sem sins nem nãos.
Estava com medo das palavras.
Indomáveis.
Inquestionáveis quando se arranjavam em frases que poderiam até parecer desconexas, mas que revelavam toda a conexão de uma vida quase sem alegria.
Ficava olhando o pedaço de papel. São arrogantes os papéis quando desafiam.
A janela fechada. O vidro tão limpo. A mesa tão grande para tão pequena figura.
O azul fechado da tarde quieta.
Rabiscou um poema, mas não sabe por onde ele anda.
Talvez tenha seguido um rumo diferente, talvez esteja feliz!
Sentia que as palavras rondavam sua cabeça.
O silêncio acariciava a mão, tudo era um convite para escrever um poema.
Estava com medo dos poemas.
Eles andavam carregados de mágoa.
As palavras que se juntavam nada mais faziam que desnudá-la.
Deixar aparentes todas as dores, toda a decepção, toda a espera sem sins nem nãos.
Estava com medo das palavras.
Indomáveis.
Inquestionáveis quando se arranjavam em frases que poderiam até parecer desconexas, mas que revelavam toda a conexão de uma vida quase sem alegria.
Ficava olhando o pedaço de papel. São arrogantes os papéis quando desafiam.
A janela fechada. O vidro tão limpo. A mesa tão grande para tão pequena figura.
O azul fechado da tarde quieta.
Rabiscou um poema, mas não sabe por onde ele anda.
Talvez tenha seguido um rumo diferente, talvez esteja feliz!
segunda-feira, 27 de junho de 2011
Folhas
Gosto do silêncio das noites frias.
Posso ouvir o vento e os passos das folhas.
Algumas se deixam arrastar por puro prazer.
Outras por puro terror.
Há ainda aquelas que simplesmente se deixam arrastar, cumprindo seu destino de folha.
As folhas dançam uma coreografia única.
As folhas sinalizam começo, meio e fim.
As folhas morrem sem drama.
As folhas secas cantam uma canção única regidas pelo vento.
O vento e as folhas traçam uma relação de amor e ódio que humanos não podem entender.
Gosto do silêncio das noites frias.
Gosto de ouvir o silêncio sendo quebrado pelo arrastar das folhas pelo corredor lateral.
Tudo lá fora, noite fria, escura, mas aqui, dentro de mim, para sempre quintal cheio de sol.
Posso ouvir o vento e os passos das folhas.
Algumas se deixam arrastar por puro prazer.
Outras por puro terror.
Há ainda aquelas que simplesmente se deixam arrastar, cumprindo seu destino de folha.
As folhas dançam uma coreografia única.
As folhas sinalizam começo, meio e fim.
As folhas morrem sem drama.
As folhas secas cantam uma canção única regidas pelo vento.
O vento e as folhas traçam uma relação de amor e ódio que humanos não podem entender.
Gosto do silêncio das noites frias.
Gosto de ouvir o silêncio sendo quebrado pelo arrastar das folhas pelo corredor lateral.
Tudo lá fora, noite fria, escura, mas aqui, dentro de mim, para sempre quintal cheio de sol.
terça-feira, 12 de abril de 2011
Desconforto
Se vai quebrar o silêncio e invadir o mundo alheio que seja o mais suave possível.
Se não é uma festa, se não é um desabafo não tem porque usar as palavras como ferramentas – ora de construção ora de destruição. Quase como tortura.
Se vai quebrar a rotina e revirar vidas que seja de maneira branda, como a última espuma que vem com a onda depois da arrebentação.
As palavras precisam ser melhores que o silêncio.
Pelo menos na maioria das vezes.
Como calculamos o resultado do que vamos esparramando pela vida?
Hora de cuidar disso. Tarde seria se não compreendesse que quase tudo se pode resgatar.
Fiquei sem palavras por um momento.
Depois que o momento passou, palavras ruins quiseram escapar.
Melhor sufocar que entristecer tudo ao redor.
Melhor acolher que abandonar.
Melhor esperar do que desesperar.
Se vai rezar, que seja para um santo que pode te transformar.
segunda-feira, 14 de março de 2011
Dia da Poesia
A poesia mais bonita que conheço é o silêncio observando as coisas que ficam bem quietas por respeito.
sexta-feira, 4 de março de 2011
Quietude
Quando está tudo muito quieto é que tenho medo.
Ontem tive um cansaço que não previ.
Um cansaço que tirou a agilidade dos dedos para procurar palavras que estão nos teclados, nos lápis, nas tintas das canetas, mas que não se entregam a mim.
E por isso, não escrevi.
Tenho medo de mim quando não escrevo.
Perco o norte.
Nosso norte tem sol.
Perco o chão.
Nosso chão tem flor.
Quando está tudo muito quieto é que tenho medo.
Por que não paro nunca.
Quando paro não sei o que fazer.
Quando o silêncio me cobra quietude, tenho medo.
Cai uma chuva fina.
Malas prontas.
Fantasias ansiosas.
São dias de paz, dias a mais
Dias que não deixaremos
Para trás, como diz a música do Jota Quest
Será?
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
Silêncio
O silêncio cobriu a sala como um lençol branco que protege os móveis depois que alguém enviuvou.
O silêncio pode ser mais cruel do que palavras que atropelam a situação e se embaralham no embate até se perderam em um copo d água.
O silêncio embaraça.
O silêncio constrange.
O silêncio permite ouvir o coração que não cabe no peito.
O silêncio permite ver a dança da pulsação do punho que acompanha a mão.
O silêncio avança noite adentro e não tem pressa.
O silêncio desperta os pássaros e não se importa com a algazarra deles.
O silêncio permite o farfalhar das árvores que adoram brincar com o vento.
O silêncio não se importa com a cantoria da cigarra.
O silêncio é maior do que tudo isso.
O silêncio suporta o barulho do mar.
O silêncio dói.
Quando o silêncio cobriu a sala ele procurou desesperadamente uma palavra, mas não estava acostumado a ser o primeiro a falar.
Quando o silêncio cobriu a sala ele nunca imaginou que ela fosse permitir.
Quando o silêncio cobriu a sala ele entendeu que seria como um lençol branco que iria proteger os móveis depois que alguém enviuvou.
Ele nunca acreditou que fosse ele e saiu sem bater a porta.
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