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quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Rositta

Exuberante.
Foi a primeira palavra que usaram para descrevê-la.
Cheia de vigor e alegria, foram os sinônimos que usaram para traduzir!
E então ela chegou.
Cheia de histórias para contar de um mundo que eu ainda não conhecia.
De uma Espanha do outro lado do oceano.
De um Canadá muito gelado.
De uma Porto Alegre cheia de graça e amor.
Ruiva.
Ruiva como eu sempre quisera ser.
Cheia de presentes e mais do que presentes, de palavras doces sempre com a intenção de acolher.
E tinha as meias-calças mais lindas e charmosas.
Um carro roxo que caia bem para uma corintiana de coração.
Que amava uma dálmata e em nada lembrava a Cruela!
Que tratava a Susan como filha.
Que falava inglês como ninguém.
Que indicou-me para um contato profissional que me abriu um novo mundo.
Uma risada sem preguiça de ser sonora.
Um choro que guardava no coração.
Um apartamento nas ladeiras da Vila Madalena e tudo ia tão bem,
mas quis o destino que cruzasse o oceano de volta para o frescor
dos cogumelos.
Levou Theodoro.
E todos os adoramos.
E agora, o que faço eu com essa pessoa linda que faz aniversário hoje?
Rabisco umas palavras apressadas para lembrar que ela nunca será esquecida, onde quer que esteja.
Mulher de nome comprido, mas que para nós é Rositta.

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Besta

É assim, desse jeito meio caipira que minha Cláudia me “repreende” quando falo alguma bobagem. E quase sempre eu falo.
Minha amiga é dessas pessoas que existem e são queridas sem esforço nenhum. Existência leve, ainda que nunca se sabe o quanto pesa a trouxinha que se vai fazendo ao longo da vida.
Eu me lembro da primeira vez em que a vi.
No almoço de aniversário de Jorge, um amigo de trabalho.
Esquisita. Uma moça que usava uma blusa de malha por cima de uma camisa e depois um vestido por cima de um jeans.
Moderna.
Sorriso tímido.
Olhar profundo.
Depois começou a abusar e me chamar de besta.
Tantas viagens. Tantas bancadas divididas no banheiro, meu creme dental e minha escova de dente e o baú de cremes dela. Ela ainda hoje insiste em dizer que não.
E sempre me socorrendo, como se eu fosse um bichinho perdido.
Minha enfermeira em Cannes, na mais terrível crise de labirintite que um ser humano pode ter.
Desacreditando quando esqueci o cartão de embarque no toilette do aeroporto de Madrid, mas quites quando no desembarque tivemos que voltar para recuperar a bolsa dela que ficara no interior da aeronave...
Minha amiga de tantas histórias.
Minha amiga de tantos silêncios.
Minha amiga em tantas fotos.
Minha amiga em tantos e-mails.
Minha amiga em tantos recados.
Hoje minha amiga está fazendo uma prova, um vestibular, um desses perrengues que a vida nos aplica, assim de surpresa.
Ela vai tirar dez com louvor, é uma aluna aplicada.
Depois vamos comemorar essa vitória.
Besta. Ela é muito besta e por isso nos damos bem, eu acho, eu tenho certeza!