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quarta-feira, 8 de junho de 2011

Aristides

O meu nome é Aristides.
A mãe nunca soube dizer por quê.
Quando eu nasci eu fiquei sendo “o menino” até quase três meses.
Aí o pai foi na cidade e quando voltou entregou o documento pra mãe com esse nome: Aristides.
A mãe não gostou, mas achou melhor não brigar com o pai.
Só falou que o nome era muito grande para um menino tão pequeno e começou a me chamar de Tide.
O pai me chamava de Ari.
As poucas pessoas da roça onde a gente morava me chamavam de moleque quando comecei a circular e quando se referiam a mim diziam apenas “o raspa” do seu Osvaldo.
Eu podia ter sido Osvaldo Junior, mas o pai não pensou.
Eu nunca perguntei pro pai de onde ele tirou a idéia de me chamar de Aristides.
Mês passado eu acho que descobri.
Eu perdi todos os documentos, todos, mas tudinho, não sobrou um nada e pra começar tudo de novo eu fui lá na cidadezinha pedir outra certidão de nascimento.
Fui de ônibus. Dá quase três horas da cidade onde eu moro agora.
A cidade tá igualzinha. Acanhada. Uns cachorros magros pela praça.
O moço que me atendeu no balcão quando trouxe meu documento novinho em folha me chamou de xará.
Eu perguntei se ele chamava Aristides, porque vai que xará já quer dizer outra coisa com essas modernidades que andam por aí.
Ele respondeu que sim, Aristides Junior.
Como a idade dele regula com a minha, fiquei pensando que meu pai não tinha nenhuma idéia de nome pra me dar e me registrou com o nome do dono do cartório.
É um bom nome o meu, Aristides. Eu acho bonito.