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quarta-feira, 3 de novembro de 2010

E foi assim

Ela não gostava de seu nome, mas ninguém precisava saber disso.
Quando se apresentava ela o dizia em alto e bom som, com firmeza, por isso ninguém suspeitava.
Ela não gostava de ficar sozinha.
Estava sempre agarrada à saia da mãe quando era bem pequena e quando foi crescendo foi se cercando de primos, primas, irmãos, amigos.
Depois namorou e casou cedo.
Desse primeiro casamento teve uma filha.
Por que não gostava de ficar sozinha, depois que se separou logo arrumou um namorado.
E depois outro, mesmo ainda tendo o primeiro.
Não gostava mesmo de ficar sozinha e não gostava de seu nome.
Um dia, ela estava sozinha no carro, mesmo não gostando de ficar sozinha.
Voltava não se sabe de onde, talvez de uma reunião, talvez de uma conversa animada com a mãe, talvez de um encontro romântico, talvez de uma reunião na escola da filha. Não se sabe.
Não gostava de ficar sozinha, mas nem por isso compartilhava tudo o que andava fazendo.
Só se sabe que um dia, quer dizer uma noite, ela chegou sozinha de carro.
Esses detalhes foram contados pelo Seu José. Ele viu quase tudo e não pode fazer quase nada, a não ser lamentar.
Pois então, ela chegou sozinha de carro e enquanto esperava o portão abrir o sujeito apontou a arma e pediu o carro.
Ela nem abriu o vidro, o portão acabou de abrir e ela entrou de uma vez. Estacionou.
O Seu José ficou encolhidinho na cabine, ia chamar a polícia, mas não viu mais o sujeito, esperou um pouco até tudo se acalmar e ia interfonar para ela antes de qualquer coisa.
Ela também deve ter esperado um pouco no carro.
Depois deve ter descido devagar porque para alcançar o elevador era preciso passar em frente ao portão.
Andou com firmeza, pensando que o susto tinha passado, mas não!
O sujeito estava lá, agachado, bufafa de raiva e não hesitou em atirar.
Foi assim que ela morreu, a Quitéria.
Ela não gostava de ficar sozinha, mas não ficou. Deixou outros para trás. Muitos outros.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Estradas: manual de sobrevivência


Para mulheres, sorry meninos. Mas vocês também podem tirar proveito.
O básico: não dirigir de chinelo nem falando ao telefone.
Não retocar a maquiagem enquanto dirige.
Respeitar os limites de velocidade.
Aqui começamos. Descubra qual é a potência do seu veículo. Se não sabe pergunte ao homem próximo mais próximo ou melhor, consulte o manual.
Se você tem um carro mil não siga todas as minhas dicas. Tenha uma boa música, mantenha-se nas faixas de rolamento da direita e siga em frente tranquilamente. Não há nenhum problema.
A gasolina aditivida não vai ajudar. Não é para isso que ela serve.
Se esse não é o seu caso, se você consegue desenvolver a velocidade compatível com a permitida, mas encontra muitos outros motoristas que adoram andar nas pistas da esquerda, em baixa velocidade, aqui vai uma dica de ouro!
Escolha um carro. Dirigido por um homem. De preferência um audi, um bmw, como segunda opção pode ser um peugeot 307, um renault. Preto de preferência.
Pick-ups não servem. As pequenas, tipo Saveiro, estão sempre muito acima da velocidade permitida. As grandes, mais novas, como a Hilux ou mesmo os utilitários mais modernos, apesar da boa performance ainda estão em fase de exposição e desfilam majestosas. Não servem.
Encontrou? Ultrapasse, mas ande um pouco ao lado dele, se possível espie e depois dispare.
Afaste-se sem exceder os limites.
Não demora nada, nada para que ele te ultrapasse indignado. Principalmente se for muito jovem ou entre 45/50 anos.
Pronto, agora você tem um batedor. Siga-o e ele abrirá caminho para você assustando todos aqueles que trafegam na faixa da esquerda bem abaixo da velocidade permitida.
Mantenha uma distância que não pareça que o está provocando, mas também não o suficiente para que alguém usufrua do seu trabalho e se insira entre vocês dois.
Nunca aceite provocações, mantenha-se dois passos atrás como as japonesas faziam antigamente com seus maridos.
Quando estiver próximo do seu destino pode perder o contato. Pronto, simples, divertido e rápido!

Dica extra: pela Bandeirantes ou Anhanguera, mantenha-se longe de caminhões da Sadia, de grande porte, ou de médio/pequeno porte das Casas Bahia.
Diminua até que desapareçam ou acelere para ganhar muita distância.
Estou quase comprovando a minha tese de que eles tem carta branca, licença para matar.