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terça-feira, 26 de abril de 2011

Parece que vai chover

O ônibus não passa mais nesse ponto, de trem não dá pra ir.
O jeito é caminhar as oito quadras. Mas eu tenho medo de número par, então vou descer aqui e subir por ali, assim completo nove quadras.
Não adiantou muito, o lugar está fechado. Não tem cara de que fosse aqui, mas o endereço está certo.
Vai ver mudou.
O bar da esquina é horrível, mas é o único lugar onde dá pra comprar uma garrafinha de água.
Se tivesse copo eu preferia. Bebia e já jogava fora. Eu não aguento gente que bebe cinco litros de água e ainda anda com uma garrafinha pra cima e pra baixo.
A Maria diz que o médico dela falou que é assim que tem que ser.
Sei. A Maria tem m monte de doenças que eu não tenho.
Algum ônibus há de passar pra eu voltar. A pé acho que não vai dar.
Podia sentar um pouco aqui e descansar.
Descansada eu posso enfrentar.
Isso parece a minha vida.
Gente que tem tudo e não consegue administrar seus fracassos!
Igual patroa que implica com a empregada que não passou direito a blusa. Pra quê?
Vai ficar socada lá no armário porque não serve mais.
Aí, em vez de admitir que engordou quer brigar com a coitada.
Melhor perguntar se passa um ônibus aqui, parece que vai chover.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Não era assim, não era?

E todo mundo pensou que tudo estava bem.
Mas o jardim era artificial.
A luz era fria.
A janela era pequena.

E todo mundo achava que ele era feliz.
Mas a namorada não o queria mais.
A mãe já não ligava nem no aniversário.
O livro que ia escrever não saia da página três.

E todo mundo acreditava que ela era do bem.
Mas articulou e se alojou em espaço alheio.
O bom dia já não era necessário.
Estar sempre foi mais importante que ser.

E todo mundo sonhou que seria melhor.
Mas o sol não nasceu.
O caminho não funcionou.
O café não aqueceu nenhuma discussão.

E todos sempre esperam o melhor.
E por isso quando as coisas dão errado, ah...
É preciso lamentar até esgotar um pouco
Até cansar e depois ir descobrindo as pequenas
Coisas boas se é que há
Há, há que procurar, há que ter paciência
Há que pensar que a chuva acomoda a alma
Dá-lhe tempo para se reanimar
Ah, será que dá?