tracei minha rota
tracei minha reta
as palavras que não disse e era a hora certa
as palavras que disse na hora errada
leio os letreiros amarelos que me avisam
para tomar cuidado com colisão traseira
e que no próximo painel ainda me lembra
de dirigir mais devagar com chuva
chove com vontade
chove decididamente
a chuva não tem medo de cair
esparrama pingos grossos pelo chão
pelos vidros que me cercam, mas não me enquadram
nunca me senti enquadrada
sempre desajeitada
deslocada
sempre mais de mim em lugares pequenos
sempre me sobrei apesar da minha miudeza
mas tracei a minha rota
tracei a minha reta torta
o gesto que não fiz
mas o olhar que me escapuliu e todo mundo viu
chove na minha estrada seca
leio os letreiros e as palavras piscam para mim
estamos aqui e não estamos nem aí
para os seus poemas esfarrapados
sem rimas nem versos
sigo meu caminho, não me importo com esses arroubos
as palavras gostam de dançar, mas são indomáveis
na maioria das vezes
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
Antagonista
Chegou em casa esbaforida e sem palavras.
Sentou depois de beber um copo de água gelada.
Prendeu os cabelos.
Primeiro ia descansar e recuperar o fôlego, depois ia procurar o significado daquilo.
Antagonista de si mesma.
Que diabo seria isso?
Não queria parecer ignorante, mas ele dizia coisas que ela não alcançava!
Não ia dar certo, ela tinha que desistir logo.
Se a mãe sonhasse, estaria perdida.
Ele era o filho da patroa. Ela era a filha da empregada e ponto final.
E não é como nas novelas, a coisa é séria, ninguém quer saber desse tipo de casal, nem a mãe dela e nem a mãe dele. E já começava com essa história dele segurar suas mãos e dizer:
- não tenha medo, não seja antagonista de si mesma!
Será que era inimiga?
Parecia ser. Ela queria desistir logo, acabar com essa loucura de namorar o filho da dona Gisele.
- Já chegou?
- Oi mãe...
- No que tá pensando?
- Em uma palavra nova que ouvi e preciso criar coragem pra ir pesquisar no dicionário
- Ah, não vou nem perguntar qual é porque minha cabeça não dá pra mais nada!
Foi desmanchando o sorriso que inventara para receber a mãe.
Foi recolhendo a mão que ainda segurava o copo.
Foi se conformando com a vida sem graça.
Antagonista de si mesma, pois sim, ser ela é que eram elas! Diria a avó se não tivesse morrido.
Sentou depois de beber um copo de água gelada.
Prendeu os cabelos.
Primeiro ia descansar e recuperar o fôlego, depois ia procurar o significado daquilo.
Antagonista de si mesma.
Que diabo seria isso?
Não queria parecer ignorante, mas ele dizia coisas que ela não alcançava!
Não ia dar certo, ela tinha que desistir logo.
Se a mãe sonhasse, estaria perdida.
Ele era o filho da patroa. Ela era a filha da empregada e ponto final.
E não é como nas novelas, a coisa é séria, ninguém quer saber desse tipo de casal, nem a mãe dela e nem a mãe dele. E já começava com essa história dele segurar suas mãos e dizer:
- não tenha medo, não seja antagonista de si mesma!
Será que era inimiga?
Parecia ser. Ela queria desistir logo, acabar com essa loucura de namorar o filho da dona Gisele.
- Já chegou?
- Oi mãe...
- No que tá pensando?
- Em uma palavra nova que ouvi e preciso criar coragem pra ir pesquisar no dicionário
- Ah, não vou nem perguntar qual é porque minha cabeça não dá pra mais nada!
Foi desmanchando o sorriso que inventara para receber a mãe.
Foi recolhendo a mão que ainda segurava o copo.
Foi se conformando com a vida sem graça.
Antagonista de si mesma, pois sim, ser ela é que eram elas! Diria a avó se não tivesse morrido.
segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
História de Ano Novo
Eu quase não gosto do burburinho de final de ano.
Fico com a impressão de que todas as pessoas são mais boazinhas do que eu. Fico com a impressão de que todas as pessoas tem listas lindas de resoluções, não eu. Toda gente consegue organizar as compras de natal e resolver o que vão fazer melhor do que eu. Fico com a impressão de que as pessoas conseguem comprar presentes para todo mundo que gostaria de presentear e eu não.
Daí as pessoas andam alucinadas pelas ruas e pelos shoppings e tenho a impressão de que elas só estão me atrapalhando.
Meu espírito de natal se ausenta, eu não fico comovida com os enfeites das instituições financeiras porque acho que são meus juros que estão pagando aquilo tudo e acho hipócritas as pessoas que mal nos olham nos olhos e de repente, por alguns poucos dias, se comportam como se tudo fosse lindo. Linho e veludo vermelho.
Por tudo isso eu quase não gosto do burburinho de final de ano.
Mas agora passou.
2012 tem muitas coisas que eu gosto e por isso acho que ele vai ser fantástico. Dia a dia, um passo de cada vez.
Não gosto muito de números pares por isso prefiro somar 2 + 1 + 2 e então para mim é um ano ímpar.
Gosto.
É ano bissexto, adoro!
Começou chovendo. Fascinante.
Sempre que chove alguma coisa boa acontece comigo.
Quando chove parece que minha alma se ilumina com um solzinho que ela tem só para ela e por mais triste que pareça um dia chuvoso, normalmente estou mais sorridente. E gosto do sol, mas eu e a chuva temos uma coisa de pele. Dessas coisas que não se explicam.
Eu prometi para mim que escreveria em meu blog em todos os dias úteis.
Já voltei a trabalhar, já cuidei de IPVA, médico e escola das meninas, mas as minhas palavras ainda estavam em férias.
Vão voltando aos poucos. Nem todas de uma vez.
A coreografia ainda está sendo rascunhada. Estava preguiçosa das entrelinhas e resolvi não me pressionar.
Hoje começa meu ano de compromisso comigo mesma. Sem listas de resoluções, sem nada para provar.
Estou chovendo esse texto para bem dizer um ano que será ímpar.
E será se eu souber que além das novas coreografias eu ainda preciso cuidar muito do dois pra lá, dois cá!
Fico com a impressão de que todas as pessoas são mais boazinhas do que eu. Fico com a impressão de que todas as pessoas tem listas lindas de resoluções, não eu. Toda gente consegue organizar as compras de natal e resolver o que vão fazer melhor do que eu. Fico com a impressão de que as pessoas conseguem comprar presentes para todo mundo que gostaria de presentear e eu não.
Daí as pessoas andam alucinadas pelas ruas e pelos shoppings e tenho a impressão de que elas só estão me atrapalhando.
Meu espírito de natal se ausenta, eu não fico comovida com os enfeites das instituições financeiras porque acho que são meus juros que estão pagando aquilo tudo e acho hipócritas as pessoas que mal nos olham nos olhos e de repente, por alguns poucos dias, se comportam como se tudo fosse lindo. Linho e veludo vermelho.
Por tudo isso eu quase não gosto do burburinho de final de ano.
Mas agora passou.
2012 tem muitas coisas que eu gosto e por isso acho que ele vai ser fantástico. Dia a dia, um passo de cada vez.
Não gosto muito de números pares por isso prefiro somar 2 + 1 + 2 e então para mim é um ano ímpar.
Gosto.
É ano bissexto, adoro!
Começou chovendo. Fascinante.
Sempre que chove alguma coisa boa acontece comigo.
Quando chove parece que minha alma se ilumina com um solzinho que ela tem só para ela e por mais triste que pareça um dia chuvoso, normalmente estou mais sorridente. E gosto do sol, mas eu e a chuva temos uma coisa de pele. Dessas coisas que não se explicam.
Eu prometi para mim que escreveria em meu blog em todos os dias úteis.
Já voltei a trabalhar, já cuidei de IPVA, médico e escola das meninas, mas as minhas palavras ainda estavam em férias.
Vão voltando aos poucos. Nem todas de uma vez.
A coreografia ainda está sendo rascunhada. Estava preguiçosa das entrelinhas e resolvi não me pressionar.
Hoje começa meu ano de compromisso comigo mesma. Sem listas de resoluções, sem nada para provar.
Estou chovendo esse texto para bem dizer um ano que será ímpar.
E será se eu souber que além das novas coreografias eu ainda preciso cuidar muito do dois pra lá, dois cá!
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