29 de fevereiro
marcadamente diferente
fevereiro era o último mês quando o ano começava em março e por isso ele é menor, com 28 dias, e por isso a cada quatro anos é dele a responsabilidade de restabelecer a ordem da translação da terra que leva 365 dias e quase 6 horas... para girar em torno do sol
já que não dava pra ter um dia de 6 horas (eu não me importaria!), a cada quatro anos um dia extra
ele deveria ser extra mesmo e poderíamos não fazer nada ou ter um desejo concedido
se eu pudesse ter um desejo concedido
teria gostado de ser uma menina de quatro anos voando pela primeira vez com meu pai
ele me explicaria tudo o que o avião fosse fazendo e enquanto o avião estivesse taxiando eu faria uma daquelas minhas observações:
- mas pai, o avião está andando, não está voando, o avião vai a pé?
29 de fevereiro
marcadamente igual
tenho saudades do meu pai sempre
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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
Olhe para ela
Olhe para ela.
Nunca viveu um grande amor.
Casou, descasou.
Não teve filhos.
Nunca fez um boneco de neve.
Andou duas ou três vezes de avião.
A prima diria voou, não andou...
Olhe para ela.
Verões em praias medíocres.
Visitou uma caverna em excursão.
Rendeu graças em Nossa Senhora da Aparecida,
Mas também leu Chico Xavier.
Trabalhou arduamente em seus turnos regulares.
Nunca quis ser mais do que foi.
Nunca teve casacos de pura lã.
Olhe para ela.
Nunca apareceu em nenhuma revista.
Nunca tirou passaporte.
Nunca escreveu um poema.
Como cuidou do pai, depois da mãe,
incansável e sem nunca reclamar
Deus lhe deu como bônus morrer assim,
como um passarinho.
Deitou depois de rezar o terço e não acordou mais.
Foi a Maria que achou.
Olhe para ela.
Não sei por que, mas ainda assim acho que tem cara
de quem está sempre zombando de nós.
Nunca viveu um grande amor.
Casou, descasou.
Não teve filhos.
Nunca fez um boneco de neve.
Andou duas ou três vezes de avião.
A prima diria voou, não andou...
Olhe para ela.
Verões em praias medíocres.
Visitou uma caverna em excursão.
Rendeu graças em Nossa Senhora da Aparecida,
Mas também leu Chico Xavier.
Trabalhou arduamente em seus turnos regulares.
Nunca quis ser mais do que foi.
Nunca teve casacos de pura lã.
Olhe para ela.
Nunca apareceu em nenhuma revista.
Nunca tirou passaporte.
Nunca escreveu um poema.
Como cuidou do pai, depois da mãe,
incansável e sem nunca reclamar
Deus lhe deu como bônus morrer assim,
como um passarinho.
Deitou depois de rezar o terço e não acordou mais.
Foi a Maria que achou.
Olhe para ela.
Não sei por que, mas ainda assim acho que tem cara
de quem está sempre zombando de nós.
terça-feira, 31 de março de 2009
Quem vai lá
Esse risco no céu, branco, quase traçado com uma régua, é um vôo que desconheço.Mas que habita meu imaginário desde criança.
Deitar no quintal, na sombra de uma árvore qualquer e esperar que rasgue o céu.
Não deito mais.
Mas quando sou ágil o suficiente, antes de pregar os olhos até que desapareça, fotografo. Sem técnica, sem recurso, a mais amadora das fotos em todos os sentidos.
E quem vai lá?
Quem pilota e o que conversa com o amigo (será amigo?) que está ao lado?
Quantas aeromoças, caras amarradas em final de vôo ou sorriso ensaiado do início?
De onde vem e pra onde vai? Há um verso de uma música que diz que de onde vem não importa pois já passou.
Quem vai lá? Homens e mulheres, crianças, jovens e idosos?
Nunca saberei. Por isso posso desenhar o meu traço.
Trabalho? Lazer? Primeiro vôo? Último? Despediu-se de alguém para nunca mais? Alguém espera para, finalmente, serem felizes para sempre?
Que rota é essa que me surpreende quando não espero e quando espero não aparece?
Um risco branco no céu é sempre um risco branco refletido em meus olhos.
Eu nunca quis ser piloto, aeromoça, astronauta, nada disso.
Eu sempre quis apenas descobrir quem vai lá!
E talvez escrever suas histórias.
sexta-feira, 30 de janeiro de 2009
Eu fui

A tantos lugares e de formas tão diferentes que resolvi listar alguns. Quando talvez estiver sem nada em que pensar para escrever posso sacar um desses trajetos e escrever a história toda. Vamos lá.
Eu fui de ônibus de São Paulo até João Correia, interior da Bahia, há 448 Km de Salvador, de férias com uma amiga que tinha parentes por lá.
Eu fui de Fiat 147 até a cidade de Cruzeiro, no Vale do Ribeira, com meu grupo de teatro apresentar a peça de Paletó e Pés no Chão.
Eu fui de avião a Salvador, a Recife, ao Rio de Janeiro, a Belo Horizonte, a Fortaleza, a Porto Alegre, a Belém do Pará, a Blumenau, a São Luis do Maranhão...
Eu fui de caminhão, daqueles de tanque de combustível, da Shell, com meu pai, de Presidente Prudente a Quatá, a Bastos, a Santópolis do Aguapeí...
Eu fui a pé, de madrugada, da Avenida Paulista até o Ipiranga porque não tinha mais ônibus.
Eu fui de carona, dedo em riste, carros que nem me lembro mais, de São Paulo até Marília, com mais 2 amigos, visitar a Tânia, que era do nosso grupo de teatro e havia se mudado para lá.
Eu voltei de Marilia a São Paulo de trem, com passagem comprada... bem, comprada pelo pai da Tânia.
Eu fui de business até Madrid.
Eu fui de classe econômica até New York.
Eu fui de ônibus de São Paulo até João Correia, interior da Bahia, há 448 Km de Salvador, de férias com uma amiga que tinha parentes por lá.
Eu fui de Fiat 147 até a cidade de Cruzeiro, no Vale do Ribeira, com meu grupo de teatro apresentar a peça de Paletó e Pés no Chão.
Eu fui de avião a Salvador, a Recife, ao Rio de Janeiro, a Belo Horizonte, a Fortaleza, a Porto Alegre, a Belém do Pará, a Blumenau, a São Luis do Maranhão...
Eu fui de caminhão, daqueles de tanque de combustível, da Shell, com meu pai, de Presidente Prudente a Quatá, a Bastos, a Santópolis do Aguapeí...
Eu fui a pé, de madrugada, da Avenida Paulista até o Ipiranga porque não tinha mais ônibus.
Eu fui de carona, dedo em riste, carros que nem me lembro mais, de São Paulo até Marília, com mais 2 amigos, visitar a Tânia, que era do nosso grupo de teatro e havia se mudado para lá.
Eu voltei de Marilia a São Paulo de trem, com passagem comprada... bem, comprada pelo pai da Tânia.
Eu fui de business até Madrid.
Eu fui de classe econômica até New York.
Eu fui a cavalo da hípica, nos arredores de Mairiporã, até a estrada do outro lado.
Eu fui de avião a Argentina, ao Chile, a Venezuela, ao Peru, ao Uruguai e a Guatemala.
Eu fui de bicicleta de Presidente Prudente até um sítio ali pelos arredores, quebrei a unha do dedão esquerdo ao meio na cachoeira, colhi algodão em uma plantação para socorrer o sangue e voltei empurrando a bicicleta com ajuda dos amigos.
Eu fui de bicicleta de Presidente Prudente até um sítio ali pelos arredores, quebrei a unha do dedão esquerdo ao meio na cachoeira, colhi algodão em uma plantação para socorrer o sangue e voltei empurrando a bicicleta com ajuda dos amigos.
Eu fui de táxi de Nice até Cannes.
Eu fui de Pantanal (me recuso a dizer que é uma aeronave) de São Paulo a Presidente Prudente.
Eu fui de carro de São Paulo até Anápolis em Goiás, de lá a Pirinópolis e depois até Brasilia.
Eu fui caminhando de muletas depois de operar o joelho de casa até o trabalho (ok, não dava cem metros!)
Eu fui de carro de Barcelona até Andorra, depois a Besalu, a Granada, a Torremolinos, a Málaga, a Sevilla...
Eu fui de moto da Boa Viagem até Olinda.
Eu fui de jangada de uma praia de Olinda até uma ilhota de areia com um bar no meio.
Eu fui de barco de Angra dos Reis até a Ilha do Arroz.
Eu fui de charrete da fazenda do meu avô até a cidade mais próxima, Garça, sem permissão, com minhas irmãs mais velhas. Com o Pombinho puxando, um cavalo branco que apenas vô Augusto e eu podíamos montar, imagina o tamanho da bronca!
Eu fui de patinete da minha casa, em Tupã, até a casa da minha melhor amiga, que ficava a 3/4 quadras de distância.
Eu fui de ônibus de Presidente Prudente a Maringá.
Eu fui de Pantanal (me recuso a dizer que é uma aeronave) de São Paulo a Presidente Prudente.
Eu fui de carro de São Paulo até Anápolis em Goiás, de lá a Pirinópolis e depois até Brasilia.
Eu fui caminhando de muletas depois de operar o joelho de casa até o trabalho (ok, não dava cem metros!)
Eu fui de carro de Barcelona até Andorra, depois a Besalu, a Granada, a Torremolinos, a Málaga, a Sevilla...
Eu fui de moto da Boa Viagem até Olinda.
Eu fui de jangada de uma praia de Olinda até uma ilhota de areia com um bar no meio.
Eu fui de barco de Angra dos Reis até a Ilha do Arroz.
Eu fui de charrete da fazenda do meu avô até a cidade mais próxima, Garça, sem permissão, com minhas irmãs mais velhas. Com o Pombinho puxando, um cavalo branco que apenas vô Augusto e eu podíamos montar, imagina o tamanho da bronca!
Eu fui de patinete da minha casa, em Tupã, até a casa da minha melhor amiga, que ficava a 3/4 quadras de distância.
Eu fui de ônibus de Presidente Prudente a Maringá.
Eu fui de carrinho de rolemã, relíquia do meu irmão, ladeira abaixo na rua em que morávamos, em Osvaldo Cruz, até me espatifar no meio fio depois de atravessar a rua tal qual uma roleta russa (se bem que em Osvaldo Cruz para passar um carro...)
Eu fui de helicóptero da Torre Norte do Cenu até o prédio da DM9 na Av. Brig. Luis Antonio.
Eu fui de ônibus de São Paulo a São José do Rio Preto.
Eu fui de carro de São Paulo a São José do Rio Preto.
Eu fui de carro de São Paulo até Pirassununga.
Eu fui de carro até o Rio de Janeiro e fui a Floresta da Tijuca, de carro em disparada para não perder um casamento.
Eu fui de carro de Madrid a Portugal, cidadezinhas encantadoras pelo caminho.
Eu fui de metrô da Av. Paulista até o Belém.
Eu fui de Passat, chamado Sophia, de São Paulo até São José do Rio Preto.
Eu fui de trem de Tupã a Osvaldo Cruz.
Eu fui de carro de Jundiaí até Maresias.
Eu fui de ônibus de Tupã até Marília.
Eu vou de carro de Jundiaí a São Paulo e, como em quase todos os outros trajetos, tenho vontade de acenar para as árvores. E aceno, quando não estou dirigindo!
Eu fui de helicóptero da Torre Norte do Cenu até o prédio da DM9 na Av. Brig. Luis Antonio.
Eu fui de ônibus de São Paulo a São José do Rio Preto.
Eu fui de carro de São Paulo a São José do Rio Preto.
Eu fui de carro de São Paulo até Pirassununga.
Eu fui de carro até o Rio de Janeiro e fui a Floresta da Tijuca, de carro em disparada para não perder um casamento.
Eu fui de carro de Madrid a Portugal, cidadezinhas encantadoras pelo caminho.
Eu fui de metrô da Av. Paulista até o Belém.
Eu fui de Passat, chamado Sophia, de São Paulo até São José do Rio Preto.
Eu fui de trem de Tupã a Osvaldo Cruz.
Eu fui de carro de Jundiaí até Maresias.
Eu fui de ônibus de Tupã até Marília.
Eu vou de carro de Jundiaí a São Paulo e, como em quase todos os outros trajetos, tenho vontade de acenar para as árvores. E aceno, quando não estou dirigindo!
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