Na época em que morei em Recife ir à praia todo final de semana era uma novidade.
Gosto muito de mato, mas estar ali, a algumas quadras da praia, com aquele sol delicioso não me deixava muita opção, nem muita saudade do mato.
Era um gostoso ritual, novos amigos todo final de semana.
Como qualquer pernambucana da gema não tardei em fazer amizade com o dono e a dona do carrinho de cachorro-quente mais próximo de onde eu acampava. Se é que o período das 8h00 às 10h00 pode ser chamado de acampamento...
José e Maria. Mais original impossível! Eu tinha conta e pagava por mês o consumo de água e cachorro quente, é claro!
Gente boníssima. Pele morena curtida de sol. Sorriso farto. Gestos largos para chamar atenção.
Caprichosos em tudo. Preocupados com minha situação de eterna galega estrangeira, recomendações e cuidados.
Um sábado qualquer chego e não encontro Maria. Pergunto ao José e ele responde com uma naturalidade surpreendente:
- foi pra Nova Iorque, só vem semana que vem
E eu:
- uau! que legal! e lá sentada em meu canto fofo de areia, cheia dos apetrechos, protetor solar, protetor labial, chapeú, garrafa d´água, penso com as cordinhas do meu biquini - e não é que esse negócio de vender cachorro quente na praia dá dinheiro? ma rapaiz, olhe só onde tá a Maria, como será que ela tá se virando? será que ela fala inglês? será que foi com algum turista que conheceu aqui? E perco-me em divagações até ser cercada pelo habitual grupo de amigos e falar de coisas que já não me lembro mais.
Semana seguinte, chego curiosa querendo saber das novidades da Maria e pergunto:
- Maria, e que tal Nova Iorque? Como foi?
- ah, bem, eu vou sempre lá, é que mainha tá doente e demorei mais, cheguei inda agorinha
- ?!?!
Ela, percebendo minha cara de não estou entendo nada, caiu na risada e completou:
- Ah, tava achando que eu tava lá nos Estados Unidos né? Tava não, Nova Iorque é uma cidadezinha que tem aqui mesmo, pertinho do Recife!
E lá foi serelepe e sorridente atender um freguês menos inocente do que eu!
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quarta-feira, 20 de maio de 2009
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
Histórias de Recife

Morei em Recife em uma época em que não existia BankLine.
Não faça essa cara, nem faz tanto tempo assim!
Como não tinha BankLine, acho que nem mesmo BankPhone, era preciso ir às agências.
Eu precisava especialmente saber como movimentar minha conta, já que algumas operações só eram possíveis na agência onde a conta havia sido aberta.
Aproximo-me do balcão e uma moça sorridente me olha mas se afasta, sem me atender.
Observo que fala com um, e fala com outro, me olhando e sorrindo.
Penso em um daqueles cartazes de procura-se com a minha foto.
Mas, apesar dessa distração, meu time é diferente do dela e resolvo intervir:
- Por favor, poderia me atender?
Ela se aproxima rindo ainda mais, olhos espantados, sobrancelhas levantadas, boca aberta e eu penso, ai meu deus, me achou! Mas ela diz:
- olhe só, fala português! E eu doidinha procurando alguém que falasse inglês pra lhe atender! Ma rapaz, galega desse jeito, quem diria! (sic para a frase inteira!)
É, quem diria.
Não faça essa cara, nem faz tanto tempo assim!
Como não tinha BankLine, acho que nem mesmo BankPhone, era preciso ir às agências.
Eu precisava especialmente saber como movimentar minha conta, já que algumas operações só eram possíveis na agência onde a conta havia sido aberta.
Aproximo-me do balcão e uma moça sorridente me olha mas se afasta, sem me atender.
Observo que fala com um, e fala com outro, me olhando e sorrindo.
Penso em um daqueles cartazes de procura-se com a minha foto.
Mas, apesar dessa distração, meu time é diferente do dela e resolvo intervir:
- Por favor, poderia me atender?
Ela se aproxima rindo ainda mais, olhos espantados, sobrancelhas levantadas, boca aberta e eu penso, ai meu deus, me achou! Mas ela diz:
- olhe só, fala português! E eu doidinha procurando alguém que falasse inglês pra lhe atender! Ma rapaz, galega desse jeito, quem diria! (sic para a frase inteira!)
É, quem diria.
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