quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Pertinácia exagerada

teimosia. s.f 1. Qualidade, ação ou procedimento de teimoso. 2. V. teima. 3. Pertinácia exagerada. [Sing. ger.: teimosice.]
É uma característica minha. Ora funciona para o bem, porque teimo conceitualmente sendo persistente no que acredito, no que busco e ora funciona para o mal. Não dá certo, perco tempo, irrito pessoas, irrito a mim mesmo.
Brincava no quintal quando tinha uns 11 ou 12 anos e minha mãe me chamou e pediu que eu fosse ao armazém comprar arroz.
Era assim, as crianças faziam pequenos serviços domésticos, pequenas compras, e os pais nem mesmo liam textos em revistas sobre psicologia da educação infantil e tudo funcionava muito bem.
A compra era feita em um armazém e tínhamos uma caderneta onde tudo era anotado e pago no final do mês.
O pacote de arroz não era exatamente como os que conhecemos hoje, de cinco quilos em embalagens plásticas, reforçadas, com marcas e posicionamentos.
Comprávamos a granel, um, dois, três, quatro, cinco quilos, quantos fossem necessários e eles vinham em sacos de papel pardo.
Nem tão resistentes assim, mas brilhantes, macio ao tato.
Eu fui, mas apesar dos protestos da minha mãe eu fui de bicicleta. Umas 3 quadras, nem isso!
teimosia. s.f 1. Qualidade...
É claro que ao voltar, na última curva para chegar em casa, quase em frente do portão o saco foi ao chão e o arroz esparramou-se pela calçada.
Plasticamente um espetáculo bonito.
Tive que recolher. Minha mãe aproveitou um pouco.
A conversa que tivemos sobre isso foi bastante reservada e correu sob sigilo por isso não posso publicar ainda.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

As primeiras palavras

Depois das primeiras palavrinhas que aprendemos, cristalizadas em nossa cultura como gugu dada, mas que na verdade são papa, mama, bola, gatu, e uma infinidade de dás... deveríamos aprender a palavra mérito, meritocracia.
Não para sermos sofisticados, nem talvez sua pronuncia correta, mas um mélito, méito, algo do gênero, mas carregado de seu conceito, talvez nos tornasse mais justos. Ou não como diria Caetano Veloso. Mas, certamente, retardaria o aprendizado da palavra cota, que me horroriza.
As pessoas deviam valorizar-se pelo que são, pelas coisas pelas quais são capazes, por suas conquistas e as duras penas que elas envolvem.
Não aceitarem pacificamente um carimbo na testa.
Porque sou negro tenho mais garantia de minha entrada na faculdade?
E as bizarrices que isso gera.
Em Brasilia, gêmeos separados por essa sinalização. Um considerado para a cota o outro não.
Nos EUA uma moça que sempre abordava professores com o coração aos saltos: essa nota X reflete realmente meu desempenho? Ou está sendo generoso comigo atendendo certas exigências de que notas de negros devem ser melhoradas para que a comunidade tenha a certeza de que são bons?
Não é monstruoso?
E não bastasse isso ouço no rádio do carro esta manhã que partidos políticos terão cotas a serem preenchidas por mulheres e que elas terão, sei lá, 10 minutos de espaço nos programas de televisão.
Não se envergonham?
A cota é prima irmã do conchavo, dos agrados, da politicagem, do uso de palavras que não posicionam. É uma grande família!
Talvez eu não vá muito longe porque não tenho esse dna na minha árvore genealógica.
Talvez meus pais tenham ganhado tempo me explicando os conceitos da meritocracia, essa coisa estranha que vem do latim mereo e que significa merecer para obter. Hummm

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Pressa

Temos vivido nossas vidas com tanta pressa que não queremos nem mais esperar pela troca das estações.
A nossa pressa apressou a natureza e agora tudo se confunde e já não se sabe mais que a primavera começa no dia 21 de setembro, ou é 22? Ou é 23?
E vai até 21 de dezembro.
Já queremos o verão, mas não abrimos mão das flores.
Queremos inverno para usar o cachecol novo, mas um, dois dias e já está bem.
Como é que se ensinam hoje, nas escolas, as estações?
Temos pressa e para quê mesmo é que temos essa pressa toda?
Geramos uma expectativa que não damos conta de atender.
Esperamos do outro que leve menos tempo do que nós mesmos levaríamos para uma ação.
Humanamente impossível.
Não há tempo hábil.
Ter que explicar esses conceitos quando na outra ponta estamos também insistindo nos seus meandros não é uma tarefa simples.
Simples é deixar para amanhã porque tudo ainda estará em seu lugar e, se não estiver, o universo se encarregará de rearranjar.