terça-feira, 5 de outubro de 2010

Outubro ou Nada

Outubro ou nada.
Ou tivesse o ano dez meses já estaríamos nele.
Gosto do dia 3 de outubro, promessa que não se cumpriu.
Ou tudo ou nada.
Exageros. Arrebatamentos.
Outubro e nenhum outro mês com O,
Que Janeiro, Junho e Julho, trio.
Abril, Agosto, antipáticos.
Março, Maio, gentis, mês de santos,
mês das águas, das noivas.
Fevereiro tímido, pequeno expoente de
Quatro em quatro anos e nada mais.
Súbito setembro, novembro, dezembro, se não de começo igual,
De igual final e Outubro
Ou nada
Quase igual no final, nada igual em nenhum começo.
Ou então, tudo de novo.
Dez. Meses. Dias 31.
Abusado, ousado, de quase acabar para recomeçar.
Mês de mudar. De comemorar.
É agora ou nada.
Outubro ou trem

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Não era assim, não era?

E todo mundo pensou que tudo estava bem.
Mas o jardim era artificial.
A luz era fria.
A janela era pequena.

E todo mundo achava que ele era feliz.
Mas a namorada não o queria mais.
A mãe já não ligava nem no aniversário.
O livro que ia escrever não saia da página três.

E todo mundo acreditava que ela era do bem.
Mas articulou e se alojou em espaço alheio.
O bom dia já não era necessário.
Estar sempre foi mais importante que ser.

E todo mundo sonhou que seria melhor.
Mas o sol não nasceu.
O caminho não funcionou.
O café não aqueceu nenhuma discussão.

E todos sempre esperam o melhor.
E por isso quando as coisas dão errado, ah...
É preciso lamentar até esgotar um pouco
Até cansar e depois ir descobrindo as pequenas
Coisas boas se é que há
Há, há que procurar, há que ter paciência
Há que pensar que a chuva acomoda a alma
Dá-lhe tempo para se reanimar
Ah, será que dá? 

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Datan e o conceito de tirinha

E então recebi um convite para levar as meninas para conhecerem a redação da Revista Recreio, na Abril. São assinantes, colecionam os brinquedos e as enciclopédias, enviam desenhos e fotos para a reunião.
E fomos.
Gentilmente recepcionadas, com direito a sorvete e passeio pelo pátio e circulação pelo espaço entre jornalistas, computadores, exemplares, bonequinhos, desenhos, uma delícia de lugar.
Antonella levava a tiracolo os seus números de mangá para apresentar.
Valentina levava os seus desenhos, de Festa Junina, de Páscoa e, sedutora, descobriu um armário mágico, cheio de brinquedinhos.
Ganharam várias edições de Clássicos da Literatura em quadrinhos e outras tantas publicações!
E foram descobrindo como tudo é feito, quem desenha, quem escreve, até que Antonella identificou quem decide, quem define e se aproximou:
- Com licença, eu queria perguntar quem é o digitalista...
E a editora-chefe:
- Ah, quem digita? Depende da seção, da matéria, por quê?
- Porque minha irmã enviou uma foto nossa, e foi publicada, mas escreveram meu nome errado! Ele é meio diferente, mas ficou muito esquisito!
E ela, gentilmente, olhando os mangás desenhados sugeriu:
- Então vamos fazer assim, você faz uma tirinha apresentando o personagem principal do seu mangá e nós publicamos.
Ótimo, ficamos combinados assim.
Passaram-se dias, depois semanas. Dei tempo, mas tempo demais se passou e perguntei:
- Antonella, não vai fazer a tirinha apresentando o Datan?
Desconversava até que um dia esclareceu:
- Mãe, você não entende o conceito de tirinha? Tirinha é para ser divertida, é uma piada, não é pra apresentar personagem. Acha que em três quadrinhos eu consigo apresentar um personagem e ainda fazer uma piada? Teria que ter uns seis, nove...
- Mas você consegue, faça então uma coisa divertida, está perdendo uma grande chance!
- Mãe, você não entende mesmo! Ela quer publicar na seção de correios! Meus mangás, minhas tirinhas, na seção de correio?!?
Entendo outros conceitos, que ela ainda precisa de tempo para entender.