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sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Mudança

Avenca. Orquídea. Margarida. Samambaia.
Cravo. Renda Portuguesa. Rosinhas. Olha... Copo de Leite. 
Dália. Onze Horas. Rabo de Gato... Como será que se chama de fato?
Como vai ficar o jardim até que a casa seja vendida?
Não sei. Pensei que você estava rezando, não falando de nome de flor. Isso tudo é nome de flor?
A mãe ia querer que cuidássemos do jardim.
Eu não tenho tempo.
Eu quero ficar aqui.
Você tem sua vida e entre sua vida e aqui existem alguns quilômetros.
Mas ela ia querer que cuidássemos do jardim.
Precisamos vender a casa.
Podemos por uma condição, de que o jardim seja mantido.
E você virá checar? Sei... Deixa disso. Tira umas fotos.
Ela deve estar ouvindo a gente.
Mãe, eu nunca gostei de flor, lembra? Sempre apanhava por causa delas, quando quebravam com as boladas que me escapavam. A coisa toda é com a Rita.
Então eu vou ficar Tarcísio. Não venda a casa. Eu vou me mudar pra cá.
Eu vou cuidar do jardim.

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Aceitação

Era tão seguro de si que nenhuma mudança mudava nada nele.
Era valente. Sempre cara de contente.
Não tinha dia de chuva ou sol ardente que tirasse aquele sorriso daquela cara de cara polivalente.
Era até de desconfiar.
Não tinha essa de chefe zangado, não tinha isso de insubordinação.
Era um cara durão.
Nem que o time perdesse, nem que o pneu furasse, nada que atrapalhasse os outros parecia interferir na sua sensação de que nada muda nada se você mesmo não deixar.
Era espantoso.
Era chato até.
Era tão seguro de si que quando se deu conta, tudo o que tinha engolido, porque santo não era, começou a brotar aqui e ali.
Levou um susto.
Era tão seguro que era sozinho.
Não soube o que fazer.
Uma mudança começou a se desenhar, mas não deu tempo de ver no que ia resultar.



quarta-feira, 4 de maio de 2011

Eu a conheci

Embarcou.
Não tinha outra coisa a fazer.
Nenhum passado e nenhum futuro, só um presente sem graça.
Aprendeu mais tarde que fé é diferente de esperança.
Explicaram que esperança é uma espécie de expectativa... De acho que vai acontecer, de quero que aconteça, mas que um certo medo já prepara para o não deu certo.
Fé não. Fé é sem medo.
Fé é certeza absoluta e mesmo quando a coisa não dá a pessoa ainda fica achando que não é definitivo e que ainda pode acontecer.
A viagem durou tanto tempo que foi capaz de achar uma explicação para “a fé move montanhas”.
Move nada. A pessoa é que caminha até a montanha porque tem tanta certeza de que vai chegar lá que caminha sem perceber e daí fica achando que a montanha se moveu.
Mas não deu tempo de encontrar uma explicação para quando se usa isso para dizer que uma montanha igual à coisa ruim saiu da frente.
Se eu pudesse ajudar diria que o raciocínio é o mesmo, só que a pessoa vai em direção contrária à montanha e assim parece que ela saiu da frente.
Simples assim.
Não, não é simples não é?
Mas ela embarcou longe de mim, desceu mais longe ainda e seguiu sem caminho entre crente e descrente.
Entre alegria e tristeza.
Entre amores e desamores.
Como toda gente.
Só que uns disfarçam melhor do que outros.
Ela não tem outra coisa a fazer, a não ser lidar com um presente sem graça.
Por isso não vou embarcar.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Outubro ou Nada

Outubro ou nada.
Ou tivesse o ano dez meses já estaríamos nele.
Gosto do dia 3 de outubro, promessa que não se cumpriu.
Ou tudo ou nada.
Exageros. Arrebatamentos.
Outubro e nenhum outro mês com O,
Que Janeiro, Junho e Julho, trio.
Abril, Agosto, antipáticos.
Março, Maio, gentis, mês de santos,
mês das águas, das noivas.
Fevereiro tímido, pequeno expoente de
Quatro em quatro anos e nada mais.
Súbito setembro, novembro, dezembro, se não de começo igual,
De igual final e Outubro
Ou nada
Quase igual no final, nada igual em nenhum começo.
Ou então, tudo de novo.
Dez. Meses. Dias 31.
Abusado, ousado, de quase acabar para recomeçar.
Mês de mudar. De comemorar.
É agora ou nada.
Outubro ou trem