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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Anhanguera

Anhanguera, apelido de Bartolomeu Bueno da Silva, bandeirante que ameaçou os índios dizendo que iria colocar fogo na água deles se não lhe entregassem o ouro que tinham.
Anhanguera, espírito maligno, diabo velho.
A Rodovia se recente desse nome. Corre quase paralela à Rodovia dos Bandeirantes. Esse nome sim, justa homenagem.
E ela sabe também que não é a minha preferida, que quando por ali estou é porque a Bandeirantes sofreu algum contratempo, obras ou acidentes que retardam a viagem.
E me olha de lado, estreita as pistas, faz brotar caminhões e ônibus e carros mais acelerados do que indicam as placas.
E se curva, sinuosidades sem sensualidade, assustadoras.
E enquanto me assusta, me afronta, exibindo suas margens verdejantes de uma beleza que não posso admirar.
Atenção redobrada que tensiona as mãos. 
Anhanguera.
Ela se recente do apelido e atropela os incautos.
Abre uma faixa extra como quem vai receber bem e de repente se dobra em curva e se recolhe em sua estreiteza.
Escancara sua mágoa.
Separa ir e vir em muro duro, baixo, carrancudo.
A Anhanguera tem mágoas que não posso descrever.
Acumula histórias que não sei narrar.
Vou insistir na conquista.
Vou desacelerar.
Vou olhar os morros.
Vou encontrar uma árvore magnífica para fotografar.
Como bandeirante vou desbravar sem pedir nada em troca, a não ser, que me deixe passar!
Carregamos nossos nomes, ela precisa aprender que isso não pode nos martirizar.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Estradas: manual de sobrevivência


Para mulheres, sorry meninos. Mas vocês também podem tirar proveito.
O básico: não dirigir de chinelo nem falando ao telefone.
Não retocar a maquiagem enquanto dirige.
Respeitar os limites de velocidade.
Aqui começamos. Descubra qual é a potência do seu veículo. Se não sabe pergunte ao homem próximo mais próximo ou melhor, consulte o manual.
Se você tem um carro mil não siga todas as minhas dicas. Tenha uma boa música, mantenha-se nas faixas de rolamento da direita e siga em frente tranquilamente. Não há nenhum problema.
A gasolina aditivida não vai ajudar. Não é para isso que ela serve.
Se esse não é o seu caso, se você consegue desenvolver a velocidade compatível com a permitida, mas encontra muitos outros motoristas que adoram andar nas pistas da esquerda, em baixa velocidade, aqui vai uma dica de ouro!
Escolha um carro. Dirigido por um homem. De preferência um audi, um bmw, como segunda opção pode ser um peugeot 307, um renault. Preto de preferência.
Pick-ups não servem. As pequenas, tipo Saveiro, estão sempre muito acima da velocidade permitida. As grandes, mais novas, como a Hilux ou mesmo os utilitários mais modernos, apesar da boa performance ainda estão em fase de exposição e desfilam majestosas. Não servem.
Encontrou? Ultrapasse, mas ande um pouco ao lado dele, se possível espie e depois dispare.
Afaste-se sem exceder os limites.
Não demora nada, nada para que ele te ultrapasse indignado. Principalmente se for muito jovem ou entre 45/50 anos.
Pronto, agora você tem um batedor. Siga-o e ele abrirá caminho para você assustando todos aqueles que trafegam na faixa da esquerda bem abaixo da velocidade permitida.
Mantenha uma distância que não pareça que o está provocando, mas também não o suficiente para que alguém usufrua do seu trabalho e se insira entre vocês dois.
Nunca aceite provocações, mantenha-se dois passos atrás como as japonesas faziam antigamente com seus maridos.
Quando estiver próximo do seu destino pode perder o contato. Pronto, simples, divertido e rápido!

Dica extra: pela Bandeirantes ou Anhanguera, mantenha-se longe de caminhões da Sadia, de grande porte, ou de médio/pequeno porte das Casas Bahia.
Diminua até que desapareçam ou acelere para ganhar muita distância.
Estou quase comprovando a minha tese de que eles tem carta branca, licença para matar.