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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Coisas de vizinha

Ficou com medo das histórias que narrava depois que a Nazaré disse que quando se conta histórias de mortos eles voltam ou, se ainda não foram, não vão nunca mais.

Depois refletiu e ficou achando que a Nazaré tinha é inveja dela que tinha histórias para contar de gente que tinha gostado.

Andou um tempo amuada, contava casos de flores e riachos e até de pedras que tinha visto ou tido na infância e foi deixando os mortos de lado.
Quando esquecia lá vinha uma tia ou tio engraçado mas nunca sentiu o lençol levantar nos pés da cama.
Achou mesmo que era bobagem e decidiu que ia fazer um teste: se a Nazaré morresse antes dela ia contar histórias sobre ela todas as semanas.
As boas e as más.
De qualquer forma, quando rezava à noite sempre pedia vida longa à Nazaré.
Coisas de vizinha!

terça-feira, 31 de maio de 2011

Horácio

Horácio era um homem bom.
Mas Deus não foi bom pra ele e, apesar de bem casado e feliz com a Tereza, com os filhos Junior e Maria Clara, ele se apaixonou perdidamente pela mulher que veio morar em frente à casa deles.
O drama instaurou-se.
Ela nem era tão bonita, mas tinha qualquer coisa que ele não sabia explicar.
Quando se mudaram, em um sábado de manhã, ela logo se apresentou.
Vinham de outra cidade, casados há pouco, ela não trabalhava, o marido muito, ficava muito tempo só.
O Horácio começou a pensar nela e não parou mais.
Nunca permitiu que nenhum olhar lhe escapasse, nem uma palavra de elogio ou crítica.
Pensou em se mudar, mas ainda estava pagando a casa.
Pensou em se matar, mas era radical demais.
Pensou que assim como se desencantara de Tereza haveria de se desencantar da vizinha e seguiu sua vida com força. E sem graça.