quarta-feira, 4 de março de 2009

Tecnicamente sim



Quando era criança e queria comprar alguma coisa sem importância ou extravagante, na visão da minha mãe claro, ela encerrava o assunto com uma frase clássica que todos nós conhecemos:

- hei menina, pensa que dinheiro dá em árvore é?

Eu ia brincar de outra coisa ou chatear minha irmã caçula e pronto.

Comigo essa tática não funcionou.

Minha primogênita me pediu qualquer coisa e eu já com pouca paciência usei a mesma frase, sem tirar nem por:

- hei menina, pensa que dinheiro dá em árvore é? e ela

- tecnicamente sim, se a maioria do dinheiro é de papel e papel é madeira e madeira é árvore...

terça-feira, 3 de março de 2009

Caminho Suave ou não


Eu aprendi a ler e a escrever mais ou menos sozinha, com os livros de português das minhas irmãs que já estavam quase terminando o 2o. grau. O primeiro texto "de adulto" que li sozinha, orgulhosamente, foi O homem nu de Fernando Sabino.

E na escola, aprendi com a Cartilha Caminho Suave.
O caminho era realmente suave para mim (que já conhecia todas as letras) e para minha mãe.

Tudo mudou agora que minha pequena caçula está sendo alfabetizada.
O caminho é suave para ela, mas para mim!

Não existe mais cartilha, mas todo dia é preciso levar rótulos e embalagens de alimentos, de higiene pessoal, de produtos de limpeza e como se não bastasse a lição de hoje foi anotar marcas de produtos específicos!

Marca de arroz, feijão e macarrão.
Marca de papel higiênico.
Marca de detergente.

Para os commodities pedi ajuda e descobri que tínhamos arroz Tio João e feijão Grão do Campo.
Os outros eu até que sabia.

E então conclui que farei um acordo com a professorinha e estudarei marcas e comportamento dos consumidores de Jundiaí com base no resultado das lições de casa.
Eu posso fazer um planejamento anual de temas, marcas e serviços e monto um painel, ora pois!

segunda-feira, 2 de março de 2009

E Fabio encontrou a Cômoda

Que não se chama Cômoda e sim Só para Si.
Com isso ele me deu um presente e não mais escrevo para não perder a magia de texto tão simples, tão cotidiano, tão profundo.
Obrigada Fabio!

SÓ PARA SI

Dona Cômoda tem três gavetas. E um ar confortável de senhora rica. Nas gavetas guarda coisas de outros tempos, só para si. Foi sempre assim, dona Cômoda: gorda, fechada, egoísta.

Mario Quintana (Poesia Completa, Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2005. p. 169)