quinta-feira, 21 de julho de 2011

Eu pensava

Quando era criança pensava que meu pai ia morrer bemmm velho, com 43 anos!
Ele morreu muito jovem, com 72.

Eu pensava que era um escândalo o Roberto Carlos cantar "amada amante" porque amante para mim era sempre a mulher que não era esposa, era um absurdo falar dessa situação em uma música. E pior ainda, minha mãe não se importava e deixava minhas irmãs adolescentes cantarem junto com o rádio coisa tão feia.

Eu tinha certeza de que o mundo era redondo, mas pensava que morávamos dentro da bola oca e que o céu era uma espécie de cobertura e que o maior progresso científico seria furar essa camada e descobrir o que havia fora da bola.

Eu pensava que não merecia mais do que tinha porque não era  uma boa menina.

Eu pensava que um bom cantor, cantora, já nasciam sabendo fazer aquilo e achava uma farsa ter que estudar canto. Quando eu cresci eu mesma estudei canto, mas só serviu para confirmar a minha tese de que para certas coisas ou se nasce ou se nasce.

Sobre todas as outras descobri que não estava exatamente certa.
Não quero estar certa, quero é nunca perder a capacidade de duvidar, de questionar, de confrontar e de dar a mão à palmatória quando estiver errada.
Só isso. É o que eu ainda penso.

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