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segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Infortúnio

Quis o infortúnio - acredito piamente na inocência do destino - que no dia 26 de julho de 2011 Haku nos deixasse.
Infortúnio: s.m. Fortuna adversa, desgraça, infelicidade: viver no infortúnio. Fato, acontecimento funesto.
Haku: cão da raça whippet, predominantemente branco, tigrado, 7 anos completados em 22 de janeiro de 2011.
Pois quis o infortúnio que saísse pelo portão da casa onde era visita, na cidade em que visitava vez ou outra e que nada do que foi feito resultasse em sua volta.
Nem as caminhadas, nem os folhetos, nem os anúncios, nem a internet e seus asseclas. Nada, somente pistas falsas.
O infortúnio é inimigo do destino.
Destino: s.m. A fatalidade a que estariam sujeitas todas as pessoas e todas as coisas do mundo; fado; fortuna: ninguém é senhor do seu destino.
O infortúnio faz acontecer de maneira tal que toda a culpa caia sobre o destino.
Mas eu acredito piamente na inocência do destino.
Já acreditei também que Haku pudesse voltar.
Lembro do seu olhar, dos seus pulos na hora de passear, do jeito de balançar a cabeça me pedindo pipoca.
A guia vermelha, a guia verde, ficaram penduradas como os enforcados das histórias que decorei para as provas escolares, sem vida.
Quis o destino que o infortúnio levasse o primeiro cão que tive, eu que cresci sem eles, aprendi muito depressa que, sem eles, a vida tem menos graça.

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Haku

Notícias ruins nos abalam por um tempo, mas depois você segue em frente. Já a esperança é paralisante.
Eu ouvi isso em um seriado de TV que assisto pela internet e fiquei paralisada pensando no que acabara de ouvir.
Se não fosse esse o momento, o contexto, eu talvez não tivesse prestado atenção.
Acontece que passei quarenta anos sem ter um cão e os últimos sete anos fazendo parte de uma "matilha", porque é assim que nos vêem os cães.
Porque nunca antes eu tivera um cão é uma história para ser contada em algum outro momento.
É que nesse momento, tudo gira em torno da matilha que se desfez. Paralisante.
Em um momento estava lá, dormindo coberto com uma camiseta velha em sua caminha nova, vermelha. E no momento seguinte não estava mais.
Cidade algumas vezes visitada, casa frequentada, mas a euforia de um passeio independente o levou para longe, para não sei onde, para sempre?
E então a esperança é paralisante, apesar de nos fazer agir - cartazes, anúncios, carro de som, procura incessante, comunidades virtuais, promessas - nada nos dá a resposta que tanto queremos ouvir: está aqui!
Quando perdemos um bichinho por morte é uma perda com recordações.
Quando perdemos um bichinho assim, é uma dor com suposições.
Haku, dove sta bambino?