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terça-feira, 26 de outubro de 2010

Um Santo de Confiança

Era preciso um Santo de confiança que tirasse aquele homem dos braços da bebida.
Era preciso um Anjinho novo que ficasse o tempo todo zelando por aquele bebe.
Era preciso um Amor grande demais para atravessar todas as impurezas, todas as imperfeições e olhar o feio atrás do bonito que se esconde e descobrir.
Descobrir lágrimas secas nos olhos azuis.
Descobrir palavras doces na boca sem riso daquele que sabe que cometeu o erro.
Descobrir abraços nas mãos cerradas dentro dos bolsos.
Era preciso um Santo de confiança que desse conforto à mãe que tem medo do filho sem rumo.
Era preciso um Anjinho que desse forças àquele bebe que luta em silêncio.
Era preciso um Amor grande demais para atravessar tempos de incertezas.
Em cada casa um caso.
Em cada caso um drama.
Em cada drama uma trama que cresceu em um jardim distante.
Em cada trama uma rama que pode florescer.
Outras farão o trabalho mais duro ao se agarrar a terra e sugar tudo o que for possível e se agarrar insanamente para não ser arrancada com a ventania.
Em cada ventania um Santo.
Em cada Santo um Anjo aprendendo o Amor.
Em cada Amor uma vida de confiança zelando para corrigir as imperfeições.
Descobrir o bonito no feio enquanto tudo está escuro.
A grandeza da alma na palma da mão de quem levanta o próximo, em silêncio.
Um Santo de confiança.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Velhice








o último minuto pode ser o primeiro
de outra vida, de outro tempo,
olhava a roseira crescer observando a
gota de orvalho
que podia ser do choro de um anjo
que podia ter deixado de ser anjo
anjos deixam de ter asas quando se
apaixonam
as rosas são as primeiras a saber
as margaridas, baixa-estima em alta
ironizam
o girassol vira para o outro lado e
nem quer saber
por isso as rosas têm espinhos
avisos doloridos de que amar machuca
mas os anjos não sabem
não há anjo que retorne de sua dor
para contar
sentava na varanda em sua cadeira verde
e balançava um tempo sem vaidade
o muro baixo
a gente passando apressada do trabalho
o carteiro que trazia sempre apenas
um aceno ou uma conta
nunca uma carta, que já cartas
não se escrevem mais
o último minuto pode ser o primeiro
e por isso esperava ela já sem
esperança de nada
mas quando se levantou para entrar
empurrada por um ventinho frio
olhou para o céu e a lua crescente piscou
pediu em silêncio para o último minuto
deixar pra depois porque coisa
tão linda merece ser vista muitas
e muitas vezes
se benzeu e foi jantar
que a novela já ia começar

segunda-feira, 16 de março de 2009

Desconexo

Hoje é 16 de março.
Não faz diferença para muita gente.
É muito importante para uns outros tantos.
Coisas boas acontecem com alguns e coisas ruins acontecem para outros.
A cada dia, a cada hora e minuto estamos construindo a história.
Hoje é aniversário de minha irmã mais velha, não vou correr o risco de mencionar quantos.
Perco tempo pensando em coisas que ocupam um espaço enorme do meu tempo cerebral e onde será que me levam?
Enquanto dirijo penso: quem com um carro igual ao meu está estacionando agora?
Quantas pessoas? Em que lugares? Estão felizes?
Quando ouço um música no rádio, penso a mesma coisa. Eu não estou gostando, não quero cantar junto, mas quantas pessoas estão gostando? Quantas estão cantando?
Será que dentre essas, alguém canta até melhor e não se tornou cantor ou cantora porque nem sabia que tinha voz tão boa? Ou desejou muito mas não encontrou seu espaço?
E vou ocupando o meu arquivo cerebral com conjunturas.
Para onde elas vão?
Buscar respostas?
Enquanto escrevo esse post penso em outro que talvez pudesse ser mais interessante.
Mas para quem?
De que lado o anjo e o demonio sussuram em meus ouvidos se, quase como meu pai ambidestro, eu não distinguo direito/esquerdo para pensar?