morro acima mora a minha esperança
que é fé, já que aprendi que esperança
apenas se espera e que quando se tem fé
tudo se concretiza
a fé aperta meu coração
a esperança afrouxa a minha mão
tenho tantas tarefas aqui e acolá
mas gosto de descansar os meus olhos
nas nuvens brancas esparramadas pelo céu azul
e quando volto, tarde da tarde mas ainda
não de noite me distraio olhando a lua
e os morros recortados ao longe
eles nem sonham que estão gravados
em meus olhos e que guardam a minha
esperança
minha esperança mora morro acima
não morro antes de me encontrar
com ela e agradecer essa infinita
paciência de se apresentar e escapulir
e assim me fazer seguir e seguir
quando saí de casa de manhã
parei o carro meio sem jeito
na rua porque flagrei a minha gata
sendo apenas gata e explorando
muros e quintais vizinhos
parei e fotografei
morro acima despertava minha fé
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terça-feira, 6 de março de 2012
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Rotina
A gata tem rotina.
A gata tem nome: Dora.
Dora Aventureira.
Por volta das seis horas da manhã mia para entrar e dormir quinze minutos aos meus pés.
Quando precisei acordar as 5h30, não sei como, as 4h20 ela já estava em seu ritual de "querer entrar".
A gata, depois que levanta dos meus pés, quer comida.
O pote pode até estar abastecido, mas ela só come a ração que se põe enquanto ela observa.
Fresquinha. A comida, posta assim, fica sempre mais fresquinha.
O pote fica sobre um balcão.
Era uma precaução de quando tínhamos o cão que adorava a ração dela.
Pois ela prefere ser alçada até lá...
A gata tem bons hábitos como beber água. Diferente de mim.
Mas a gata só bebe água corrente e por isso espera que alguém abra a torneira do lavabo do corredor.
Às vezes espera no banco em frente, às vezes mesmo na pia onde nem a vemos pela iluminação.
Mas a gata mia.
A gata mia um miado manhoso.
Depois de tudo, até mesmo de usar a caixinha de areia, a gata vai passear.
Inspeciona o quintal.
Vaso por vaso vai experimentar. Arranha, deita, se estica.
Escolhe um canto e espia o portão.
Depois pula o muro e então não sabemos mais como a rotina segue.
Quando volta, a gata mia no alto do muro.
Alguém tem que pegar.
Alguém não, um adulto, porque é alto e... ela mia até o chefe da família a salvar.
No corredor entre a sala e a cozinha se esparrama como a rama se esparrama pelo chão.
Descansando.
A gata deve ir longe, de telhado em telhado, de muro em muro e volta dona de si.
A gata tem rotina.
Tem brinquedos divertidos.
E um rato peludo destroçado preferido.
A gata adora uma sacola.
A gata adora deitar no teclado do computador.
A gata gosta de se ajeitar em nosso colo sozinha, não precisa ajudar.
A gata mia quando a poltrona que gosta está ocupada com livros, brinquedos, uma bagunça de lar.
A gata tem nome.
A Dora explora a nossa vida e sempre nos faz abrir um sorriso com o seu rebolar.
terça-feira, 14 de junho de 2011
Lagartixa
lagartixa. S.f. 1. Designação comum a várias espécies de reptis, lacertílios, de pequeno porte, especialmente os geconídeos, com dedos providos de lâminas transversais adesivas que lhes permitem subir em paredes lisas, pedreiras ou troncos escorregadios. Cerca de 15 espécies ocorrem no Brasil. [Sin.: víbora e sardanisca ou sardanita.] 2. Antiga peça, pequena, de artilharia. 3. Bras. Mulher magra e de talhe flexível.
E é da primeira que vamos falar.
Não, não tenho nenhuma "bichofobia", mas acontece que moro no Brasil, moro em uma cidade do interior, moro em uma casa e convivo com essas coisinhas.
Elas são discretas e não frequentam lugares perigosos como o teto acima da mesa de jantar ou o fogão.
Mas sabem como denunciar sua existência e ficar apenas existindo enquanto os atropelos acontecem.
Atropelo número 1: minha caçula vive de pote em punho porque quer ter uma lagartixa de estimação.
Sempre a postos para capturá-la e traçar planos de mantê-la bem alimentada, confortável, como se fosse um outro animalzinho qualquer. Sem muito sucesso porque quando consegue capturar, logo a convencemos a libertá-la no quintal.
Atropelo número 2: Dora, a gata, vive de orelha em pé e pronta para a caça. Não raro, pela manhã precisamos rapidamente dar cabo de algum defuntinho que teve o azar de passear despreocupadamente pela noite. E muitas vezes nos ocupamos de distrair Dora ou fazer passear algum filhotinho desavisado.
Uma delas porém encontrou uma maneira de provocar: caminha tranquilamente pelo lado de fora da janela da cozinha, hipnotizando a gata. Mas que, a qualquer momento pode dar um pulo ágil em cima da pia para tentar uma vez mais.
Lagartixas. Como uma coisinha tão pequena, quase transparente e silenciosa pode causar tanto barulho e não emitir nenhuma opinião? Bom, até pode emitir, eu é que não falo lagartiches.
E é da primeira que vamos falar.
Não, não tenho nenhuma "bichofobia", mas acontece que moro no Brasil, moro em uma cidade do interior, moro em uma casa e convivo com essas coisinhas.
Elas são discretas e não frequentam lugares perigosos como o teto acima da mesa de jantar ou o fogão.
Mas sabem como denunciar sua existência e ficar apenas existindo enquanto os atropelos acontecem.
Atropelo número 1: minha caçula vive de pote em punho porque quer ter uma lagartixa de estimação.
Sempre a postos para capturá-la e traçar planos de mantê-la bem alimentada, confortável, como se fosse um outro animalzinho qualquer. Sem muito sucesso porque quando consegue capturar, logo a convencemos a libertá-la no quintal.
Atropelo número 2: Dora, a gata, vive de orelha em pé e pronta para a caça. Não raro, pela manhã precisamos rapidamente dar cabo de algum defuntinho que teve o azar de passear despreocupadamente pela noite. E muitas vezes nos ocupamos de distrair Dora ou fazer passear algum filhotinho desavisado.
Uma delas porém encontrou uma maneira de provocar: caminha tranquilamente pelo lado de fora da janela da cozinha, hipnotizando a gata. Mas que, a qualquer momento pode dar um pulo ágil em cima da pia para tentar uma vez mais.
Lagartixas. Como uma coisinha tão pequena, quase transparente e silenciosa pode causar tanto barulho e não emitir nenhuma opinião? Bom, até pode emitir, eu é que não falo lagartiches.
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