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quarta-feira, 13 de abril de 2011

Desencanto

Estava tão triste que não conseguia disfarçar.
Procurou contar algumas coisas engraçadas, mas ficaram tão sem graça!
Resolveu procurar um poema lindo e disfarçar tristeza de emoção.
Um poema curto, profundo como o corte na alma.
Lembrou que a alma é que tem o corpo, um corpo perecível para uma alma perene que pode habitar outro corpo em outro lugar.
Se tudo fosse assim tão simples, não teria tristeza capaz de embaçar a luz do dia.
Sorte ele já estar nublado.
Voltou aos poemas.
Lembrou de Florbela Espanca.
Preferiu ficar longe da longínqua semelhança.
Foi ali mesmo, praticamente no meio do mato, resgatar Manoel (de Barros)
...
“que a importância de uma coisa não se mede com fita métrica nem com balanças nem barômetros etc.
Que a importância de uma coisa há que ser medida pelo encantamento que a coisa produza em nós.


Ou pelo desencanto, pôde supor!

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Encontrei Manoel


Ontem, 2 de fevereiro, cheguei cedo para um almoço.
Porque sou britânica com os horários e porque me sabotei, assim teria que fazer uma horinha na livraria. Que coisa!
E foi lá que encontrei Manoel. Manoel de Barros e seu livro: O livro das ignorãças.
Desde então estou feliz, apesar de já ter terminado o livro algumas frases ficam ecoando em mim.
Podem ouvi-las?

as coisas que não existem são as mais bonitas
maior que o infinito é o incolor
não tem altura o silêncio das pedras

E seguimos fazendo filmes publicitários para vender coisas.
Encontrei Manoel, mas ele não estava em nenhum anúncio.
O almoço foi bom e voltei para casa.
Veja como a garça deixa que eu me aproxime para tirar uma foto.
Ela sabe que é escandalosamente linda! Oferece-me um espetáculo que também não foi anunciado nem na tv, nem na internet, em nenhuma das revistas e jornais que assino.