Lá pelos idos de 2009...
É isso mesmo, o tempo passa tão rápido que consideramos 2009 tempos idos, tempos mofados.
E naquele ano, nessa época de Natal, estávamos fazendo compras em uma dessas lojas de material & construção e mais um monte de coisas, quando Valentina encontrou uma coisinha.
Um boneco de neve aprisionado em forma de saleiro. Bonitinho, branquinho, pequenininho.
Quis comprar. Não achamos o preço.
Procuramos em outros setores. Nada. Perguntamos e o vendedor:
- ah não, não é pra vender, era par de um outro que desapareceu, era de por pimenta, alguém deve ter levado e não tem mais
E Valentina:
- ah Pobrezinho, vai ficar aqui sozinho?
Falei com o gerente, nos vendeu por algo em torno de R$ 3,00 para efeito de saída.
Ele é feliz em casa, apesar de ter sido batizado de Pobrezinho. Compõe nossa decoração de natal e depois, no dia 6 de janeiro, é recolhido com todos os outros apetrechos.
É um xodó de Valentina.
Ela também enxerga a alma das coisas e isso me encanta.
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quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Boi
um boi na beira da estrada é sempre um boi na beira da estrada
a quem não se pode dizer nada e de quem não se vai ouvir nada
concordo que dele nada ouviremos
mas podemos dizer, sim, claro que podemos
o boi não sabe que vai ser natal
não é natal para os judeus
e o mundo não vai acabar no dia 31 de dezembro
mas parece que sim para algumas pessoas
elas parecem alucinadas, no trânsito, nas calçadas, nos shoppings
o boi da beira da estrada não sabe disso
e, portanto, ele é bem feliz
ele não sabe nem mesmo para quê está ali e também não faz diferença
enquanto ele está ali ele come a grama que está bem embaixo do seu nariz
e se uma fila de bois passa por ele
ele entra na fila e também caminha sem perguntar para onde ou para quê
um boi na beira da estrada é sempre um boi na beira da estrada
ele não sabe de que cor, ano, marca é o meu carro
me olha e me vê
mas não se impressiona, tampouco tenta me impressionar
ele apenas me olha
e eu posso explicar a ele que todo mundo está alucinado porque
vai ser natal
que é rico e glamouroso para alguns
que é pobre e triste para outros e, na verdade, para ele não faz a menor diferença
quero ser amiga do boi e nada mais
a quem não se pode dizer nada e de quem não se vai ouvir nada
concordo que dele nada ouviremos
mas podemos dizer, sim, claro que podemos
o boi não sabe que vai ser natal
não é natal para os judeus
e o mundo não vai acabar no dia 31 de dezembro
mas parece que sim para algumas pessoas
elas parecem alucinadas, no trânsito, nas calçadas, nos shoppings
o boi da beira da estrada não sabe disso
e, portanto, ele é bem feliz
ele não sabe nem mesmo para quê está ali e também não faz diferença
enquanto ele está ali ele come a grama que está bem embaixo do seu nariz
e se uma fila de bois passa por ele
ele entra na fila e também caminha sem perguntar para onde ou para quê
um boi na beira da estrada é sempre um boi na beira da estrada
ele não sabe de que cor, ano, marca é o meu carro
me olha e me vê
mas não se impressiona, tampouco tenta me impressionar
ele apenas me olha
e eu posso explicar a ele que todo mundo está alucinado porque
vai ser natal
que é rico e glamouroso para alguns
que é pobre e triste para outros e, na verdade, para ele não faz a menor diferença
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
Dezembro
Quando dezembra eu fico inquieta.
Quando começa a dezembrar eu fico animada, feliz, esperando as luzes se acenderem.
Quando vai adezembrando lá pelo dia 10 eu fico triste, muito triste, porque para sempre vou me lembrar que perdi um amigo querido.
Depois passa, já lá se vão tantos anos.
E assim, conforme vai dezembrando, meus sentimentos vão subindo e descendo como na montanha russa.
Lá pelo dia 22 é aniversário da minha sobrinha Roberta. O sorriso mais cheio de covinhas que mora em meus olhos.
E depois adezembra a ansiedade das compras de natal.
O papai noel, a comilança. O calendário que se arrasta para o trabalho, mas que se acelera para outras coisas como carro desgovernado!
Agora quando dezembra dia 24, comemoro o nascimento do menino Jesus e da menina Isadora.
A minha linda japonesinha que agora fará um ano, adezembrando ainda mais a nossa alegria!
Quando dezembra eu me assusto.
Depois me recupero.
Quando dezembra eu me cerco da alegria de ter uma família feliz, duas meninas correndo pela casa, tropeçando em gato e cachorro, sob o olhar meigamente severo do papai.
Quando dezembra pai, eu me lembro das bolas coloridas e imensas que, a despeito de qualquer outro presente que eu fosse ganhar, você gostava de me comprar!
Quando começa a dezembrar eu fico animada, feliz, esperando as luzes se acenderem.
Quando vai adezembrando lá pelo dia 10 eu fico triste, muito triste, porque para sempre vou me lembrar que perdi um amigo querido.
Depois passa, já lá se vão tantos anos.
E assim, conforme vai dezembrando, meus sentimentos vão subindo e descendo como na montanha russa.
Lá pelo dia 22 é aniversário da minha sobrinha Roberta. O sorriso mais cheio de covinhas que mora em meus olhos.
E depois adezembra a ansiedade das compras de natal.
O papai noel, a comilança. O calendário que se arrasta para o trabalho, mas que se acelera para outras coisas como carro desgovernado!
Agora quando dezembra dia 24, comemoro o nascimento do menino Jesus e da menina Isadora.
A minha linda japonesinha que agora fará um ano, adezembrando ainda mais a nossa alegria!
Quando dezembra eu me assusto.
Depois me recupero.
Quando dezembra eu me cerco da alegria de ter uma família feliz, duas meninas correndo pela casa, tropeçando em gato e cachorro, sob o olhar meigamente severo do papai.
Quando dezembra pai, eu me lembro das bolas coloridas e imensas que, a despeito de qualquer outro presente que eu fosse ganhar, você gostava de me comprar!
terça-feira, 29 de novembro de 2011
Véspera
s.f Dia imediatamente anterior àquele de que se trata. A tarde. S.f.pl. Dias que antecedem mais proximamente um fato ou acontecimento: às vesperas da independência, pressentia-se o desfecho iminente.
Religião católica: parte do ofício divino que se celebra à tarde, depois das nonas, hora canônica correspondente às duas ou três horas da tarde.
Mas não é isso o que importa.
O que importa é que uma véspera nunca é lembrada depois que passou.
Nenhum dia é tão intenso de expectativa e ansiedade como uma véspera e tão esquecido na memória futura que se vai construir.
Véspera de casamento.
Véspera de vestibular.
Véspera de um nascimento.
Véspera de Natal e Ano Novo talvez sejam as vésperas que se salvam nas recordações engavetadas porque por si só são os acontecimentos.
Fora isso...
Quem se lembra da véspera?
Se o dia imediatamente posterior é o grande astro do acontecimento.
Véspera do primeiro dia de aula.
Véspera da primeira viagem de avião.
Véspera da primeira estréia.
As vésperas se reúnem em uma daquelas gavetinhas que temos na memória, tantas vezes descritas.
Mas são silenciosas. Não falam nem entre si.
Véspera de coisa boa, véspera de coisa ruim, irmanadas em sua natureza de véspera.
Todo hoje é véspera de amanhã, alguém poderá pensar.
Mas nenhum dia pode se vestir de véspera se o coração não estiver acelerado, enorme, se as mãos não estiverem agitadas, os pezinhos balançando.
Não, as vésperas não vivem de filosofia, elas vivem de ansiedade e quase sempre de alegria.
Eu sou véspera de mim, ansiosa e confinada, alegre e depois resguardada, dia sim, dia não, até a véspera do fim.
Religião católica: parte do ofício divino que se celebra à tarde, depois das nonas, hora canônica correspondente às duas ou três horas da tarde.
Mas não é isso o que importa.
O que importa é que uma véspera nunca é lembrada depois que passou.
Nenhum dia é tão intenso de expectativa e ansiedade como uma véspera e tão esquecido na memória futura que se vai construir.
Véspera de casamento.
Véspera de vestibular.
Véspera de um nascimento.
Véspera de Natal e Ano Novo talvez sejam as vésperas que se salvam nas recordações engavetadas porque por si só são os acontecimentos.
Fora isso...
Quem se lembra da véspera?
Se o dia imediatamente posterior é o grande astro do acontecimento.
Véspera do primeiro dia de aula.
Véspera da primeira viagem de avião.
Véspera da primeira estréia.
As vésperas se reúnem em uma daquelas gavetinhas que temos na memória, tantas vezes descritas.
Mas são silenciosas. Não falam nem entre si.
Véspera de coisa boa, véspera de coisa ruim, irmanadas em sua natureza de véspera.
Todo hoje é véspera de amanhã, alguém poderá pensar.
Mas nenhum dia pode se vestir de véspera se o coração não estiver acelerado, enorme, se as mãos não estiverem agitadas, os pezinhos balançando.
Não, as vésperas não vivem de filosofia, elas vivem de ansiedade e quase sempre de alegria.
Eu sou véspera de mim, ansiosa e confinada, alegre e depois resguardada, dia sim, dia não, até a véspera do fim.
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