terça-feira, 30 de novembro de 2010

Diário Resgatado

01/02/05 07:33 cama nova para Valentina... ela ficou muito feliz, mas faz uma bagunça na hora de dormir! alcança tudo sobre a cômoda, ontem derrubou um copo com água, um esparramo!
ontem foi o primeiro dia de aula de Antonella no colégio novo, Divina Providência (espero que o nome faça jus)

o que ela mais gostou, nessa ordem:
da biblioteca
do playground
da classe e,
da cadela

a biblioteca me emocionou, gostar de livros, gostar de ler me salvou a vida inteira e o gosto dela pelos livros me alegra, me tranquiliza, me
anima, me dá esperanças

playground e classe, normal
a cadela mora na entrada do colégio e segundo ela, ontem ela não teve
oportunidade de passar a mão, mas hoje, com certeza, vai tentar!!!

quando eu disse que havia ficado com saudades dela, pensando nela lá
na escola, com gente que ainda não conhecia ela me disse, firme como
uma rocha:
- mãe, não precisa né, a escola é o escritório da criança...

mais uma lição

Valentina segue falando tudo o que guardou esse tempo todo, e me
emociono cada vez que descubro que ela sabe falar coisas que eu nem
imaginava e que articula e que pensa e que já "trama"

quer ir cedo para a cama (porque é nova) e tarda a dormir está cada vez mais loirinha e linda e brava que não sei se terei forças para enfrentar

uma coisa é certa: estou cercada de vida inteligente e isso me deixará
jovem para sempre

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Luta


E quando quero estar feliz, mas uma tristeza me invade, ocupa cada espaço desprevenido e não vai embora?
Fico atônita.
Penso em rabiscar um verso.
Depois quero ler um livro e quando já estou em casa isso é tão fácil.
Mas essa tristeza não escolhe lugar.
Estou entre amigos escolhendo o que comer no almoço e de repente, ela me agarra um pé.
Em outras, em uma loja nova, cercada de estímulos por todos os lados e de um corredor a outro, um vão de espelho me assusta e quem vejo? Eu? Não. A tristeza escondida em meus olhos, fazendo tudo para se mostrar.
E quando quero gritar que não posso mais carregá-la comigo e os sons todos se tornam muito mais alto que minha voz muda?
Quero ouvir uma música. Uma música qualquer. Quero cantar uma música.
Quero rezar uma reza, resgatar uma foto engraçada, chamar uma amiga pelo celular.
E nada faz passar.
A tristeza é cíclica? Ela vem e vai? Não fica lá nem cá para sempre?
E quando quero estar feliz, mas um suspiro profundo vem me dizer que apenas espere, que não faça força, que a quietude ajuda, que a serenidade repousa em algum canto do meu coração, mas que já já vem me acudir?
E quando fico atônita e penso em rabiscar um verso, mas a tristeza não deixa?
Apenas consulto o relógio e espero, um dia vai coincidir.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Decisão

Escreveu um bilhete apressado.
Letras atrapalhadas, frases mal formuladas.
Correu pela casa reunindo coisas.
Preparou uma mochila infeliz.
Tomou o resto de suco que encontrou na geladeira.
Experimentou um biscoito, murcho.
Cerrou as cortinas, fechou as janelas.
Olhou para a planta desolada no vaso.
Deixou no corredor, na esperança de água de chuva.
Pensou em desligar o relógio da luz.
Releu o bilhete. Pensou em desistir.
Pensou em escrever outro bilhete.
Não podia perder tempo.
Uma buzina lá fora.
Um choro de criança no andar de baixo.
Olhou o porta-retrato no aparador.
Aparando a incerteza.
Quando foi que decidiu?
Por que decidiu?
Onde achou a caneta e o papel para aquele bilhete?
A boca secou, o coração disparou.
Saiu, fechou a porta tão devagar, como nunca conseguiu.
O tempo nublado encobriu também a figura solitária.
Desapareceu na confusão da cidade.
Apesar de nublado não choveu.
A planta ainda agoniza no corredor.