terça-feira, 11 de outubro de 2011

Juarez

e o que sabia de si mesmo era tão pouco que nas horas vagas vasculhava tudo dentro de si
e as horas vagas que tinha eram tão poucas que vasculhava no tempo os minutos que compunham horas escassas
e o que encontrava na arqueologia da vida sem graça era guardado como tesouro
e por isso falava sozinho quando almoçava sozinho no restaurante barulhento e disputado na fábrica
e porque falava sozinho era cada vez mais sozinho porque levantava suspeitas de que não era lá muito certo das ideias
e o que sabia sobre os outros era quase nada porque quase nada falava
absorvido
movimentos iguais
peças de peças que fariam uma peça final, sempre igual e para ele tão sem importância
o quarto nu da pensão
o jantar que era quase sempre pão
a tv com tão poucos canais
e o que sabia de si mesmo era tão pouco que não carecia explicar
vasculhava uma história dentro de si
vagueava nas horas que custavam a passar dos domingos de sol
absorvido
consumido por um destino que não tinha vontade de alterar
prazer, Juarez
mas tanto faz, tanto fez

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