segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Desesperança

A saia rodada, o cabelo enrolado.
Dedos esticados e a mão sempre alerta.
Pegava sonhos em qualquer lugar.
E tinha olhos de um castanho raro.
Que olhavam muito mais do que queriam ver.
E tinha a pele aveludada.
Branca no inverno, menos branca no verão.
Mas branca.
Como branco era o sorriso. Fácil.
A saia rodada confundindo o medo.
O cabelo em espera sinuosa.
Sonhava em terceira pessoa, esperava sempre mais.
Os olhos castanhos não perderam o brilho,
Mas perderam o rumo quando o futuro chegou.
A pele aveludada perdeu o viço.
O sorriso não desapareceu, mas ficou menor.
Os sonhos em terceira pessoa ficaram pelo caminho.
O futuro chegou torto, de um jeito diferente.
A saia rodada ficou emoldurada na foto.
O cabelo enrolado em um coque.
Não há mais nenhum sonho em nenhum lugar.
E a vida caminha sem sair de seu trajeto.

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